Covid-19: UFPR de Toledo realiza pesquisa para validação populacional de novo teste sorológico

Diante da pandemia da Covid-19 no Brasil, o Ministério da Saúde implementou medidas para diminuir a disseminação do SARS-CoV-2. O objetivo das ações é reduzir, drasticamente, o número de infectados, bem como o número de hospitalizações e mortes pela doença. Entre as ações propostas, destacam-se as medidas não farmacológicas, como o distanciamento social a fim de reduzir transmissão entre as pessoas, o que certamente tem implicações importantes na dinâmica da sociedade, economia e comércio.

A professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Dra. Ana Paula Brandalize explica que como parte da estratégia de conter a pandemia, a testagem em massa da população para a Covid-19 deve ser adotada. No entanto, o número de testes disponíveis no Brasil ainda é limitado e tem seu custo elevado para ser aplicado a toda a população.

Entre os testes utilizados para testar a presença da doença em indivíduos estão os testes sorológicos, que detectam anticorpos (IgM e IgG) a partir de uma amostra de sangue. Os testes laboratoriais que detectam tais imunoglobulinas são realizados através de kits aprovados pela Anvisa, na plataforma de Elisa. No entanto, seu custo ainda é alto.

Segundo a Dra. Ana Paula, com o objetivo de desenvolver um novo teste sorológico para diagnóstico da Covid-19, o professor Dr. Luciano Huergo da Universidade Federal do Paraná (UFPR) – setor Litoral – criou um novo teste sorológico utilizando proteínas recombinantes do SARS-CoV-2. “Estima-se que com a produção nacional deste teste o custo seria reduzido drasticamente, podendo custar até dez reais por amostra”.

VALIDAÇÃO – A validação populacional do novo teste sorológico acontece na UFPR, campus Toledo. Neste momento, são incluídos indivíduos do Município, que foram diagnosticados como positivos para Covid-19 por meio do teste padrão-ouro – RT-PCR. Além destes, também serão incluídos indivíduos que foram descartados da infecção pela Covid-19 pelo mesmo teste.

As professoras responsáveis por esta fase da pesquisa, em Toledo, são a Dra. Ana Paula Brandalize e a Dra. Kádima Teixeira. Dra. Ana Paula esclarece que as pessoas são identificadas em parceria com a Secretaria de Saúde de Toledo. “Após identificação, mantemos contato telefônico com estes potenciais participantes para realização do convite para participar da pesquisa. Após consentimento via telefone, realizamos uma visita domiciliar ao participante para explicação sobre o projeto de pesquisa e coleta de sangue”.

Os testes iniciaram e já foram realizados cerca de 70 coletas. O total de voluntários é 400, sendo 200 que fizeram o teste de RT-PCR e apresentaram resultados positivos e 200 com resultados negativos. A professora afirma que o teste sorológico vai demonstrar se a pessoa teve a doença ou não e se ela produziu anticorpos. “O diferencial desse teste é o fato dele apresentar um investimento menor para o cidadão. Com isso, será possível abranger mais indivíduos da população e realizar o controle do coronavírus no Município”.

Algumas pessoas possuem receios em participar da pesquisa. Dra. Ana Paula pondera que as coletas são realizadas nas residências das pessoas; a equipe que participa do projeto estará identificada e serão utilizados o jaleco e o veículo da Universidade. “Professores, alunos de graduação do curso de Medicina e de Pós-graduação participam do projeto”.

Dra. Ana Paula revela que o participante tem a total autonomia para decisão em participar ou não da pesquisa. “Todos os participantes receberão retorno quanto ao resultado do teste sorológico que irá avaliar se estes desenvolveram ou não anticorpos para a Covid-19. Estes testes serão oferecidos gratuitamente aos participantes da pesquisa”.

A fase de coleta de sangue deve seguir até o final do mês de novembro e começo de dezembro. Na segunda etapa, a Universidade vai trabalhar com um número maior de pessoas, em Toledo, e dividi-las por regiões. “As coletas serão aleatórias. Assim, saberemos como está a contaminação por Covid-19 no município”, relata a professora. A expectativa é finalizar a pesquisa até o final deste ano. Mais informações pelo email [email protected].

Da redação com informações da assessoria