Data de promoções exige cautela e consumo consciente

Uma das datas mais aguardadas no ano por lojistas e consumidores tem sua origem nos Estados Unidos. A Black Friday acontece, tradicionalmente, depois do feriado de Ação de Graças. No Brasil, onde este feriado não existe, a data passou a ser incluída no calendário comercial do país quando lojistas perceberam o potencial de vendas do dia.

Embora esteja hoje associado ao maior dia de compras no país norte-americano, o termo Black Friday, que na tradução livre significa Sexta-Feira Negra, não ganhou esse título até os anos 2000. Nos últimos anos a data foi marcada promoções, descontos e consumidores garimpando produtos com descontos que podem chegar a até 90% do preço original.

O professor e coordenador do curso de graduação de Ciências Econômicas e do Mestrado em Economia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), campus Toledo, Dr. Carlos Alberto Gonçalves Junior explica que no Brasil, a tradição da data com muitas promoções começou em 2011 com forte apelo na internet com cupons de descontos.

“Nós podemos concluir que a Black Friday auxilia em algumas situações. Por exemplo, você tinha um espaço no calendário de vendas do comércio. O Brasil sempre tende a importar esses dias, como criou o Dia dos Namorados, o Dia das Mães, o Dia dos Pais. E a Black Friday é interessante porque as empresas podem colocar em oferta os seus estoques e se preparar para as vendas de Natal. Ela desova o estoque, se capitaliza, faz as suas compras e se prepara para as vendas de Natal”.

BLACK NA PANDEMIA – Em 2020, a pandemia da Covid-19 muda o cenário da Black Friday. As filas e corre-corre para conseguir bons preços não existirão por conta das medidas de segurança para evitar o contágio do novo coronavírus. Porém, os empresários esperam boas vendas, seja no meio eletrônicos ou ainda nas lojas físicas.

O professor de economia lembra que, apesar da retração econômica desde o início da pandemia, o comércio começa a ter alguns resultados positivos em termos de aumento de vendas. Com a aproximação do final do ano, as empresas contam muito com mais uma data para reforçar o faturamento, principalmente as lojas on-line que aproveitam o período de isolamento social para estimular a compra sem sair de casa.

“Como a Black Friday começou em 2011 com promoções na internet, a pandemia fortaleceu esse segmento. Com isso, os empresários das lojas locais precisam fazer uma divulgação forte e ter preços atrativos para competir com as empresas na internet que vão colocar produtos em oferta. Cabe aos empresários locais agirem de forma agressiva para captar as vendas para a região. Do contrário, as vendas podem ocorrer pela internet e a renda do município pode parar em outras regiões. É algo que precisamos dar atenção”, salienta Gonçalves Junior.

CONSUMO CONSCIENTE – E como resistir aos descontos, facilidades de pagamento e novidades que as promoções de Black Friday oferecem? O professor de economia enfatiza que o consumidor deve aproveitar os descontos de forma consciente. Pesquisar e acompanhar os preços dos produtos que pretende adquirir é uma forma de confirmar se o valor realmente está reduzido ou se é uma armadilha da ‘black fraude’.

“Ele pode começar a seguir no começo do mês e olhar se na semana, o produto que tem interesse terá o preço reduzido. Em algumas situações, os descontos são ilusórios. Eles aumentam os preços alguma semanas antes e dão o desconto e volta ao preço original. Tomar cuidado para não achar que está tento um grande desconto, sendo que na verdade ele pode ser ilusório. É importante o consumidor estar atento a isso. Se realmente, o produto que está comprando é bom um negócio. Porque o consumidor pode estar comprando algo pela metade do dobro”, conclui.

Da redação