Dia Mundial Sem Tabaco: a luta para deixar o vício

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Na data de 31 de maio – Dia Mundial Sem Tabaco – a batalha vivida por aqueles que abandonam o vício é lembrada. Deixar de fumar não é uma tarefa fácil. O fumante precisa de ajuda especializada e a família também é o suporte. O tabaco causa diferentes tipos de inflamação e prejudica os mecanismos de defesa do organismo.

Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam que o Brasil o tabagismo ativo e passivo são os principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de pulmão. A estimativa do triênio 2020-2022 é de 17.760 casos novos de câncer de pulmão em homens e 12.440 em mulheres. Esses números correspondem a um risco estimado de 16,99 casos novos a cada 100 mil homens e 11,56 para cada 100 mil mulheres.

A nicotina é considerada uma droga por possuir propriedades psicoativas. Presente no tabaco, ao ser inalada produz alteração no sistema nervoso central e isso promove alteração no estado emocional e comportamental do fumante; a consequência é a dependência. “Ao apresentar um quadro de dependência, o fumante passar a apresentar um comportamento compulsivo para consumir a droga, ou seja, fumar”, pontua a psicóloga, Jane Patti. “A rede de apoio e combate tem encontrado o fumante com mais dependência psicológica elevada, principalmente, quando é comparada com necessidade física, por exemplo, essa pessoa fuma menos que dez cigarros por dia, isso aponta a baixa dependência física, contudo, o emocional fica mais alterado a base que essa pessoa deixa de fumar e com evidentes sintomas de abstinência”.

No processo de tratamento, a profissional cita que podem ser aplicadas algumas técnicas comportamentais para que o fumante passe a entender e enxergar o contexto, bem como as situações em que ele sente a necessidade de fumar. Ela comenta que, cada paciente, tem suas particularidades, contudo, ele precisa entender os gatilhos que o levam a acender um cigarro, ter conhecimento em relação ao autocontrole, avaliar quais fatores podem estar diretamente ligados ao ato, como ansiedade, momento de relaxamento, entre outros.

FÍSICA x PSICOLÓGICA – “Cada pessoa tem um ‘perfil fumante’. Existe aquele paciente que, simplesmente, age no automático, por exemplo, é a hora do cafezinho, mas antes disso ele vai fumar. Outros já não atribuem o ato de fumar a uma ação automática, como uma necessidade física, mas sim ao emocional, ao fato de precisar daquele momento, precisar do cigarro para aliviar o estresse, pensar em uma solução para o problema daquele momento, em relaxar durante o processo”, declara Jane.

O apoio psicológico é um dos aliados dos tratamentos para quem deseja parar de fumar. A profissional destaca que o paciente pode ser tratado com uso de medicações, a terapia de reposição de nicotina, a goma de mascar, entre outras ferramentas que visam auxiliar o fumante a deixar o vício.

“Estudos apontam que no período de sete a 19 segundos, a nicotina – ao ser inalada através do cigarro – consegue atingir o cérebro e agir no sistema nervoso central. Nessa ação, acontece a liberação de várias substâncias conhecidas como neurotransmissores – responsáveis em gerar a estimulação do mecanismo neurológico e promovem a sensação de prazer”, alerta Jane ao acrescentar que o ato de fumar altera o estado comportamental e emocional da pessoa de forma não natural, mas como decorrência da ação de uma substância psicoativa.

Quanto mais a pessoa passar a fumar, ou seja, ingerir nicotina de maneira contínua, o cérebro acostuma a receber essas ‘doses’ de estímulo artificial. Desse forma, o organismo vai exigir que o ato de fumar aconteça para que todas as sensações de prazer venham a acontecer por meio do cigarro.

“Vale lembrar que nenhuma dependência química é apenas química”, afirma a psicóloga. “As causas que levam uma pessoa a ser fumante podem envolver questões sociais e culturais (a necessidade de fumar para fazer parte de um determinado grupo), fatores biológicos (a química propriamente dita) e situações psicológicas (condições emocionais e afetivas). Esse emaranhado de fatores que fazem com que o pessoa mantenha o vício sem, muitas vezes, levar em consideração os prejuízos que o tabaco causa no organismo”.

PARAR DE FUMAR – Jane explica que, na psicoterapia voltada a cessação do tabagismo, é possível estabelecer o padrão de consumo do paciente, bem como os níveis de dependência química e emocional. Ela destaca que o tratamento acontece de maneira conjunta, pois a pessoa precisa do suporte prestado pela equipe multidisciplinar para que consiga superar todas as barreiras que o processo de deixar o vício podem envolver.

“O primeiro é o fumante quem precisa dar. Ele precisa sentir a necessidade de mudar de vida e tirar esse hábito nocivo de seu cotidiano. Trabalhar o autocontrole, as causas que levam a fumar, procurar as melhores estratégias para manutenção saudável da abstinência, fazer uso de medicamentos quando necessário, cada paciente é um paciente. Parar de fumar pode parecer tarefa fácil para quem não fuma, para quem não vive o vício, mas não é tão simples para quem é fumante. Contar com uma rede de apoio compostas por diversos profissionais e o apoio familiar fazem toda a diferença no processo de mudança”, declara.

Da Redação

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