Em junho, cesta básica de Toledo foi uma das mais baratas, aponta pesquisa

O Núcleo de Desenvolvimento Regional (NDR) divulgou a Pesquisa da Cesta Básica de Alimentos de Toledo. Os dados são referentes aos meses de abril, maio e junho de 2021. Esta e a primeira edição da pesquisa e será permanente com resultados divulgados mensalmente.

De acordo com a coordenadora da pesquisa, professora e doutora Crislaine Colla, o levantamento é uma demanda da comunidade local. O NDR faz parte da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), campus Toledo. Ele é composto pelo curso de Ciências Econômicas e pelos programas de Pós-graduação em Desenvolvimento Regional e Agronegócio (PGDRA) e Pós-graduação em Economia (PGE).

O objetivo desta Pesquisa é mostrar o preço médio e a variação no preço dos produtos da cesta básica de alimentos; o valor total e a variação no custo da cesta básica de alimentos individual e familiar; o poder de compra do trabalhador pelo tempo de trabalho necessário para comprar a cesta básica; o percentual do salário mínimo que é destinado à compra dos produtos; e o salário mínimo necessário para adquirir a cesta básica para suprir as despesas de habitação, vestuário, transportes, entre outros.

METODOLOGIA – A pesquisa também compara as informações obtidas com as de outros municípios e capitais brasileiras que utilizam como base a metodologia de cálculo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

“O Dieese faz essa pesquisa para todas as capitais brasileiras que nos ajuda a ter um parâmetro de comparação. Por isso, usamos a mesma metodologia com os mesmos produtos”, explica a coordenadora da pesquisa Crislaine Colla.

Em Toledo, os dados foram coletados durante o mês em estabelecimentos da cidade. A equipe estipulou um calendário de coleta de dados para seguir, durante o período. Não é objetivo da pesquisa identificar os nomes dos estabelecimentos, mas encontrar uma média de preços dos alimentos.

“Nossa proposta é tornar público a pesquisa, auxiliar as pessoas entenderem o movimento econômico dos produtos, identificar os principais fatores que influenciam a variação dos alimentos e ainda auxiliar na condução de políticas públicas”.

DADOS – De acordo com a pesquisa, o custo da cesta básica em abril foi de R$ 488,61, passando para R$ 492,57 em maio, que representou um aumento de 0,81%. Já em junho, a cesta básica individual passou a custar R$ 489,84, exibindo uma redução de -0,55% em relação a maio. Esses custos levaram em consideração o preço médio dos produtos e as quantidades que compõem a cesta básica.

Estes mesmos percentuais se aplicam à variação da cesta básica familiar. Segundo a pesquisa, “a cesta básica familiar se caracteriza por ter o custo da cesta básica para três pessoas, sendo dois adultos e duas crianças, as quais são contabilizadas no cálculo como um adulto, sendo esta a razão para o cálculo ser de três e não quatro pessoas”.

A pesquisa aponta que “a partir do cálculo do custo médio da cesta básica de Toledo, é possível verificar quanto do salário-mínimo líquido é necessário para adquiri-la. No mês de abril, 48,02% do salário-mínimo estaria comprometido com a cesta básica individual e, em maio, esse percentual aumentou para 48,41%. Em junho, há uma redução em relação a maio, assim como nos preços, sendo necessários 48,14% do salário-mínimo líquido para adquirir a cesta básica individual”.

“É importante reforçar que a pesquisa mostra que o cálculo do salário mínimo necessário em Toledo deveria ser mais R$ 4 mil (R$ 4.104,78 em abril; R$ 4.138,10 em maio; R$ 4.115,14 em junho) para as despesas de uma família com a cesta básica, habitação e outras despesas”, cita Crislaine.

Conforme a pesquisa, “um trabalhador de Toledo que é remunerado com o salário-mínimo precisaria trabalhar 97,72 horas, em abril, para adquirir a cesta básica individual. Em maio, esse tempo aumenta para 98,51 horas e, em junho, reduz para 97,97 horas. Considerando que um trabalhador dedica 220 horas mensais ao trabalho, aproximadamente 45% de todo o tempo trabalhado no mês seria destinado a adquirir os produtos da cesta básica”.

PRODUTOS – No período entre abril e maio de 2021, os produtos que tiveram aumento significativo nos preços foram a margarina (13,41%), a batata (12,24%), o óleo de soja (8,31%) e o café (8,30%). Por outro lado, os produtos que apresentaram maior redução nos preços foram a banana (-21,52%), o feijão (-3,27%) e o leite (-0,55%), sendo esses os únicos que apresentaram redução no preço nesse período.

No relatório da pesquisa, “os preços variaram em função de mudanças na oferta, relacionados à sazonalidade e também a fatores externos, como o preço do produto no mercado internacional”.

No período entre maio e junho, os produtos que apresentaram aumento nos preços foram a banana (11,65%), o leite (8,56%), o açúcar (4,36%), a farinha de trigo (2,09%) e a carne (1,76%). Os demais produtos apresentaram redução nos preços, com destaque para a batata (-35,93%) e o tomate (-10,62%).

VARIAÇÃO – A pesquisa ainda traz o comparativo do custo da cesta básica individual de Toledo com as cidades de Cascavel e Curitiba, as duas outras capitais da Região Sul (Florianópolis e Porto Alegre) e as capitais de cada mesorregião brasileira (São Paulo, Recife, Campo Grande e Belém).

No mês de abril, o custo médio da cesta básica em Toledo foi de R$ 488,61, sendo essa uma das que teve o valor mais baixo, perdendo apenas para Recife, que apresentou o valor de R$ 471,52. Já em maio, o custo da cesta básica em Toledo continuou sendo o segundo mais barato entre as cidades selecionadas, perdendo novamente para Recife.

O custo da cesta básica de Toledo (R$ 492,57) é 5,66% menor do que o de Cascavel (R$ 520,43) e cerca de 29% menor que o de Porto Alegre (R$ 636,96), que apresenta o maior valor em maio. E no mês de junho, da mesma forma que ocorreu nos outros meses, a cesta básica de Toledo está entre as mais baratas, perdendo apenas para Recife. A diferença entre Toledo (R$ 489,84) e Cascavel (R$ 512,03) foi de 4,53% e com Florianópolis foi de 31,75%.

Da Redação

TOLEDO