“Escrevi em uma forma de desabafo”, afirma o médico

Após um alerta dos riscos para uma pessoa conhecida, o médico infectologista de Toledo José Eduardo Mainart Panini sofreu agressões. Em uma postagem em sua conta pessoal no Instagram, ele postou uma foto sua e fez o relato na última segunda-feira (1º). As manifestações foram diversas. Nesta quarta-feira (3), o JORNAL DO OESTE conversou com o médico sobre o que aconteceu na última sexta-feira (26).

Depois de participar de reuniões relacionadas ao Decreto do Estado, ele foi para o seu lar. “Em casa, encontrei a minha esposa nervosa, pois um familiar iria para a ‘balada’ naquele dia. Tentei intervir e explicar que a partir da meia-noite, o Município entraria em estado de Lockdown. Durante a explicação, houve a agressão. Um amigo dele ainda chegou e continuou me agredindo”.

Naquele dia, de acordo com Panini, a sua esposa registrou o boletim de ocorrência. “Eu pensei: são ‘coisas’ de família. Mas, chegou segunda-feira não consegui trabalhar por conta dos efeitos da agressão e percebi que esse tipo de situação não deveria passar impune”.

O médico complementa que saiu do seu trabalho com tontura e se sentindo mal. “Daí, realmente, eu resolvi escrever em minha conta no Instagram em forma de desabafo. A rede social é minha e desde que não agrida ninguém, eu a uso da forma que quiser”.

Após alguns dias da ocorrência, ao refletir Panini comenta que se arrepende, às vezes, de se importar com o outro (alguém conhecido). “Vou continuar me preocupando com a saúde da população. Enquanto alguém negar aos fatos da pandemia, se eu conseguir prevenir o contágio do vírus com o meu trabalho, assim o farei”.

O médico pondera que na última sexta-feira tentou proteger a sua família. “Não me arrependo. Faria tudo da mesma maneira, porém não deixaria que as ‘coisas’ se agravassem. Nós dependemos do comportamento do outro”.

PARA ENTENDER – Na conta pessoal no Instagram, o médico relata que “na sexta-feira, após horas de reunião para determinar o que seria ou não fechado, baseado num Decreto do Estado do Paraná. Já deixo claro, que baseado nos números não há mais nada a que fazer, senão as coisas só piorarão. Ao alertar os riscos a pessoas conhecidas, a resposta que me foi dada foram chutes e socos, enquanto um me segurava o outro me agredia. Enfim pessoas assim que ajudaram situação chegar onde está! O desânimo não vem! E junto com eles temos muita coisa boa, progresso, vacinas e tudo que vai fazer sairmos dessa pandemia! E aos trabalhadores da saúde muita força!”.

Da Redação

TOLEDO