Estelionato: golpes via telefone estão cada vez mais articulados

Clonagem da conta do aplicativo WhatsApp; persuasão durante a abordagem da vítima; ameaças concisas e assim os golpes estão cada mais articulados. É preciso atenção, estar em alerta para não repassar informações sigilosas e buscar ajuda para evitar cair nas mãos dos criminosos e ser lesado.

Uma mulher idosa que reside em Toledo quase foi vítima do golpe da ‘central de segurança dos bancos’. “Ligaram para minha avó e falaram que era da central de segurança dos bancos. Disseram que o cartão dela tinha sido clonado e algumas compras já tinham sido realizadas, mas eles estavam ali para ajuda-la a resolver o problema”, cita uma familiar da idosa.

A ligação ocorreu no telefone fixo. Durante a conversa os criminosos utilizaram a técnica conhecida como engenharia social – obtenção de dados aleatórios que ajudam a obter outras informações pessoais. Dessa forma descobriram o banco que a vítima tinha conta e o nome da gerente.

“Eles passaram um 0800 para minha avó ligar, mas disseram que ela não poderia desligar o telefone fixo. Ela ligou no 0800 do celular. Tinha até ramal direcionando a ligação para diversas opções”, conta. Neste período de conversa, a idosa passou dados pessoais, inclusive a senha do cartão.

Com o nome da gerente da conta da vítima, uma golpista se passou pela profissional do banco. “Essa mulher disse que iria encaminhar um estagiário devidamente identificado, com o uniforme do banco, na casa da minha avó para recolher o cartão e o celular dela e, que dessa forma, iria resolver o problema”.

Como a vítima estava com as duas linhas telefônicas ocupadas, ela ficou incomunicável – uma ação conduzida dos criminosos para que a pessoa não consiga pedir ajuda. “Por sorte, minha avó chamou a vizinha e pediu para que ela ligasse para minha mãe. A vizinha também desconfiou se tratar de um golpe. Minha avó falou que estava falando com a vizinha para a mulher que estava no telefone se passando pela gerente, essa mulher ficou brava com minha avó, disse que ela não deveria ter comentado nada, pois se tratava da algo sigiloso”.

Enquanto a vítima conversava com a vizinha, um homem alto e forte chegou a pé na casa da idosa. Ele estava com identificação do banco e disse se tratar do estagiário que teria ido para buscar o cartão e o celular. “A vizinha disse que não iriam entregar nada. Ele não teve reação agressiva e foi embora. Depois disso, conseguiram falar com minha mãe. Fomos com minha avó até o banco para cancelarmos o cartão e tomarmos as medidas de seguranças necessárias, pois os criminosos tiveram acesso à senha e dados pessoais dela. Nessa tentativa de golpe, observamos que eles agem com muita rapidez e quase conseguiram êxito. Minha avó, com certeza, teria um grande prejuízo”.

ALERTA PARA OS GOLPES – “Com essa descrição ainda não tínhamos conhecimento da aplicação desse tipo de golpe em Toledo”, relata o comandante da 1ª Companhia do 19º Batalhão da Polícia Militar (BPM) capitão Jimmy Cajuhy Carlesso. “Foi aplicada uma abordagem conhecida como engenharia social, quando vai conversando e obtendo dados que a vítima vai passando e usa os mesmos dados para conseguir outras informações”.

A orientação do comandante é que ao receber qualquer tipo de ligação suspeita, a pessoa não passe nenhuma informação. Ele acrescenta que em caso de dúvida, o recomendado é buscar esclarecimentos diretamente na agência bancária, pois os bancos não costumam mandar ninguém para a casa das pessoas.

TIPOS DE GOLPES – Conforme Cajuhy, os golpes mais aplicados no momento são aqueles que envolvem clonagem do WhatsApp e o falso sequestro. Ele reforça que diante de um pedido de dinheiro emprestado é preciso buscar contato direto com quem fez a solicitação para confirmar o fato antes de fazer qualquer depósito, pois, isso pode envolver a clonagem do número de amigos ou familiares e na conversar a vítima vir a passar outras informações que venham a contribuir para o golpe.

“Em relação ao falso sequestro, o criminoso que faz a ligação e finge estar com um familiar da vítima sequestrado. Geralmente, com agressividade, ele liga e diz que está com o filho e a vítima fala, por exemplo: ‘o André’ e o criminoso responde: ‘isso, o André’, sem querer foi passada uma informação importante. Em 99% dos casos, esse sequestro é falso. É primordial estarmos atentos e não repassar informações pessoais para estranhos”, salienta.

VÍTIMAS DOS GOLPES – Conforme dados da 20ª Subdivisão Policial (SDP) de Toledo, desde o início do ano, já foram registrados 90 boletins de ocorrência relacionados a golpes de estelionato via telefone. A 20ª SDP orienta que nos casos de clonagem do Whats a vítima deve notificar o suporte do aplicativo, através do e-mail ([email protected]), o assunto deverá conter este texto: WhatsApp clonado + código de área + número do Whats. A partir do momento que o suporte for notificado, a conta do WhatsApp é bloqueada e os criminosos também perdem o acesso. Além disso, é importante avisar os contatos e familiares sobre a fraude para evitar que alguns deles venham a fazer um depósito.

Da Redação