Estudante de Toledo recebe premiação do ISEF 2021 nesta semana

Ao analisar o cultivo da banana no Brasil, a estudante do Colégio Estadual Jardim Porto Alegre Ana Carolina Gonçalves Selva observou uma grande perda na produção – entre 40 e 50% do total produzido. Ao investigar o suposto problema, a aluna percebeu que as doenças eram as principais causas e ela passou a pesquisar o uso de extratos vegetais no combate aos fungos causadores de doenças no pós-colheita. Os resultados da pesquisa nos testes in vitro são bastante promissores.

Com o título “Potencial fungitóxico de diferentes extratos vegetais sobre o desenvolvimento in vitro do fitopatógeno causador da antracnose em frutos de bananeira – Fase IV”, a estudante conquistou a quarta colocação na Regeneron ISEF 2021, dos Estados Unidos, maior feira internacional de Ciências e Engenharia.

Ana Carolina explica que os extratos vegetais são uma alternativa para os agroquímicos. Para ela, os agroquímicos apresentam um preço elevado e causam danos severos ao meio ambiente. “A pesquisa tem como objetivo produzir um extrato vegetal com fácil acesso e com baixo custo. As pesquisas foram realizadas no desenvolvimento ‘in vitro’ do fungo que causa a antracnose em frutos da bananeira. Na sequência, os extratos vegetais foram aplicados no fungo para avaliar e comparar o resultado com um fungo sem o extrato vegetal”.

A FEIRA – Participar da ISEF com essa pesquisa foi uma sensação maravilhosa. A pesquisadora revela que conheceu jovens de outros países que lutam pela ciência assim como ela. “São jovens com ideias maravilhosas e apresentar o meu trabalho de iniciação científica para eles foi algo sensacional. Eu pude explorar meus limites e quebrar uma barreira, pois achava que não seria possível me comunicar com pessoas que possuem a Língua Inglesa fluente”, afirma Ana.

A estudante esteve entre os cerca de 1.800 jovens participantes, de 65 países. São 1.480 projetos, em 21 categorias. Ana Carolina concorreu na categoria Microbiologia com outros 58 trabalhos. A pesquisa foi iniciada pela estudante ainda no 8º ano do Ensino Fundamental no Clube de Ciências da escola. Ela finalizou o Ensino Médio no ano passado. “Decidi pelo tema porque o meu bisavô tinha uma pequena produção de bananas em casa e havia uma doença que acometia muito a plantação, a antracnose. Ele não tinha condição de passar um agroquímico por causa do preço elevado e dos riscos à saúde e ao meio ambiente. Falei com minha orientadora, Dionéia Schauren, para entender melhor isso e se eu poderia criar alternativas para os pequenos produtores. Assim, o projeto foi desenvolvido”, conta.

Sobre o prêmio, Ana Carolina afirma que foi uma alegria ouvir o seu nome. “Foi uma prova de quanto o seu esforço e dedicação valeram a pena. Nada disso seria possível sem a ajuda da coordenadora do Clube de Ciências Dioneia. Ela sempre me apoiou e me incentivou a seguir em frente. Hoje tudo isso valeu a pena”.

Ana Carolina recebeu visitantes no seu estande virtual da ISEF (com vídeo, artigo, fotos de diário de bordo e slides) e respondeu perguntas sobre a pesquisa. A cerimônia de premiação acontece dias 26 e 27 desta semana.

Atualmente, a estudante tem se dedicado a estudar para o vestibular da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e ela pretende concorrer a uma vaga no curso de Ciências Biológicas. “Minha irmã e uma colega dela estão dando continuidade à pesquisa no colégio e quando entrar na universidade pretendo seguir com mais testes, em novos equipamentos e também testar no campo para avaliar a eficácia”, diz.

IN MEMORIAN – Além de Ana Carolina, outra estudante do Clube de Ciências do Colégio Estadual Jardim Porto Alegre estava entre os 18 brasileiros selecionados para a ISEF 2021. Amanda Vitória Elgert Becker, então do 2º ano do Ensino Médio, foi uma das nove selecionadas do evento pela Mostratec (Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia), outra feira que concede vagas à ISEF e que acontece anualmente no Rio Grande do Sul, com o trabalho “Desenvolvimento de embalagem biodegradável tipo espuma a partir de diferentes amidos – Fase II”. Amanda faleceu em um acidente de carro em janeiro deste ano, mas o seu trabalho seguiu inscrito.

Da Redação*

TOLEDO

*Com informações da Assessoria