Estudo de novo pedágio entre Toledo e Cascavel preocupa autoridades locais

Um estudo que prevê a concessão de 3.327 quilômetros de rodovias e a implantação de 15 novas praças de pedágio no Estado do Paraná, entre elas na BR-467 trecho entre Toledo e Cascavel, tem preocupado empresários, classes trabalhadoras e o poder público.
A adição de 15 novas praças está prevista no estudo feito pela Empresa de Planejamento e Logística S.A (EPL) e discutido juntamente com o Ministério da Infraestrutura. O estudo foi apresentado no dia 13. Segundo a Assessoria do Ministério da Infraestrutura, as audiências públicas para a discussão do modelo com a sociedade serão lançadas no próximo mês.
Diante do estudo e da possibilidade de implantação de uma praça de pedágio na região de Toledo, o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Toledo (Acit) Claudenir Machado comenta que a entidade se opõe a essa instalação e estuda realizar uma manifestação contrária a execução. “A região Oeste sempre foi prejudicada pela logística e para a exportação dos produtos. E o pedágio é um inibidor do desenvolvimento local. É claro que as empresas que estão aqui vem pela identidade da região com a sua produção, se não fosse por isso elas não viriam, mas a instalação de um pedágio iria afetar muito o nosso desenvolvimento econômico”.

OFÍCIOS – O vereador Gabriel Baierle também é contra a implantação de uma praça de pedágio na BR-467. O parlamentar convidou os vereadores de Toledo para assinarem conjuntamente os ofícios que serão enviados ao Governo do Paraná e o Ministério da Infraestrutura manifestando a opinião. “Precisamos que todos somem forças para que a região Oeste não seja onerada com este pedágio”, comenta o vereador. Ele diz estar ciente que este assunto é apenas a ponta de uma discussão maior que são as concessões das praças de pedágios em todo o Paraná.
Nos ofícios o vereador argumenta que a região Oeste do Paraná possui sua economia baseada na força do agronegócio com a presença em seu território de dezenas de cooperativas que utilizam, principalmente, de rodovias para o transporte de seus produtos e que as indústrias instaladas na região, incessantemente, buscam novos mercados e, portanto, necessitam minimizar os custos para alcançá-los.

LIGAÇÃO – O vereador considera também que na região existe um grande polo universitário em que há o deslocamento de milhares de estudantes que transitam entre as cidades para a busca da qualificação. Ainda que o trecho entre Cascavel e Toledo já está duplicado com custos bancados por recursos públicos, por óbvio, provenientes do pagamento de impostos, em parte, da população oestina. Além disso, considera que as cidades da Região Oeste do Paraná têm fortes ligações entre si na prestação de serviços, especialmente na área de Saúde, no comércio e na indústria.
“Se o estudo se concretizar e for instalada a nova praça de pedágio entre Toledo e Cascavel, consideramos que vai onerar ainda mais a vida regional, já tão sobrecarregada de impostos, vai dificultar e até inviabilizar grande parte do desenvolvimento econômico, social e educacional”, disse Gabriel Baierle.

REAVALIAR – Em contrapartida, o presidente do Sindicato Rural de Toledo Nelson Paludo acredita que as concessões previstas no estudo podem trazer benefícios, uma vez que vai melhorar a qualidade das estradas paranaenses e, consequentemente, o tráfego e a segurança da população. Paludo cita que estradas mal conservadas trazem prejuízos, principalmente para os motoristas de caminhão.
No entanto, ele pondera que é preciso reavaliar o valor cobrado pelo pedágio. “Não pode ser uma tarifa alta para não onerar muito o produtor que precisa escoar sua produção. O valor atual cobrado no Paraná está fora da realidade. Em outros estado a tarifa é bem abaixo. A BR-277, que liga o Oeste ao Porto de Paranaguá tem muitos pedágios, com valores altos e a rodovia nem é duplicada. Tudo isso precisa ser avaliado”, complementa o presidente.

EXECUÇÃO – Com o projeto em estudo, o estado do Paraná, que atualmente possui 27 praças de pedágio, passará a ter 42. O estudo prevê que elas estejam em operação dois anos após a celebração dos novos contratos de concessão. Os atuais vencem em novembro deste ano. Portanto, entre 2022 e 2023 as novas praças de pedágio devem começar a operar.
As 15 praças estão previstas em: Sengés (PR-151); Siqueira Campos (BR-272); Jacarezinho/Ourinhos (BR-153); Califórnia (BR-376); Norte de Tamarana (PR-445); Jussara (PR-323); Tapejara (PR-323); Perobal/Cafezal do Sul (PR-323); Guaíra/Terra Roxa (BR-272); Guaíra/Mercedes (BR 163); Toledo/Cascavel (BR-467); Capitão Leônidas Marques (BR-163); Ampere (PR-182); Renascença (BR 280); Guairaçá (BR-376).

NOTA GOVERNO – Em nota, o Governo do Paraná afirma: “A Empresa de Planejamento e Logística (EPL), responsável pelos estudos sobre o novo pedágio, ainda está trabalhando na modelagem e nas tarifas. Após essa etapa, haverá audiências públicas em todo o Paraná, com ampla participação da sociedade. A partir delas, mudanças podem ser incorporadas à proposta final, em respeito às demandas regionais.

O novo programa dos pedágios será a maior concessão rodoviária do País. O leilão será na Bolsa de Valores, com transparência e possibilidade de disputas internacionais. O Governo do Estado está trabalhando em parceria com o Governo Federal para a formulação de um novo modelo, que será mais moderno e com tarifas menores e mais justas.”

Da Redação*
TOLEDO
*Com informações da Assessoria