Excesso de chuva atrasa desenvolvimento das lavouras

As chuvas no mês de janeiro ultrapassaram a média história em vários municípios da região Oeste. Em Toledo, de acordo com a estação meteorológica da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC), campus Toledo, foram aproximadamente 500 milímetros de chuva durante o mês, com variações em algumas localidades do município.

O volume é maior que o esperado para toda a estação que tem como média história 450 milímetros. Segundo o professor de Agrometeorologia da PUC, campus Toledo, Alexandre Luis Müller as chuvas de janeiro foram irregulares e fora dos padrões do fenômeno La Niña que tem como característica um verão mais seco e com poucas precipitações.

“A média histórica para o mês é de 200 milímetros e o que aconteceu na nossa região foi muito além do esperado. Ainda temos dois meses de verão e as condições do clima ainda podem mudar. Porém, essas chuvas foram necessárias para melhorar as condições dos reservatórios”, comenta.

DIFICULDADES – No campo, o grande volume de chuva dificultou os trabalhos de sanitização das lavouras. Com o excesso de umidade, o produtor rural não pode fazer os controles necessários e a aplicação de fungicida e inseticida, por exemplo. O técnico do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), na Regional de Toledo, Paulo Oliva, cita que os dias nublados ainda deixaram o processo de desenvolvimento das plantas mais lento.

A cultura da soja na Regional de Toledo tem 5% das lavouras na fase de floração, 85% de frutificação e 10% de maturação. Já o milho está com 7% das lavouras na fase de floração, 83% de frutificação e 10% na fase de maturação. Apesar do excesso de chuva, a Seab trabalha com uma expectativa de uma boa colheita.

DADOS – Segundo relatório, na Regional de Toledo, a área da soja na safra 2020/2021 é de 487.420 hectares e a projeção é colher 1.852.196 toneladas do grão. Em relação ao milho são 2.895 hectares plantados com uma projeção de colheita de 26.340 toneladas.

“Tivemos relatos na primeira semana de chuvas de queda de vagem; esse excesso de umidade aumenta também a incidência de algumas doenças, ataques de percevejos, lagartas e algumas pragas pela falta de tratamento. Com o tempo mais firme será possível fazer os tratamentos necessário. Mesmo assim, há projeção de uma safra muito boa”, pontua Oliva.

Ele esclarece que a Seab acompanha semanalmente as lavouras e o desenvolvimento das culturas da região. Mesmo com o grande volume de chuvas de janeiro, Oliva enfatiza que ainda não há alteração na produção e na qualidade da soja e do milho. “Agora é aguardar as condições climáticas até o início da colheita. Só assim teremos a atualização dos dados e os reflexos desse período chuvoso”.

O excesso de umidade em janeiro que atrasou o desenvolvimento das lavouras ainda trouxe outro problema. De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Toledo Nelson Paludo, os produtores estão preocupados com o prazo para iniciar o plantio do milho safrinha, que precisa ser feito até o dia 10 de março. “Já foi realizado um pedido para estender o prazo do zoneamento para auxiliar os produtores que enfrentam essa dificuldade no final da colheita da soja e início do plantio do milho safrinha. Enquanto isso, os produtores vão aproveitar os dias sem chuva para realizar os tratos sanitários nas lavouras”, finaliza.

Da Redação

TOLEDO