Fênix: a fiação que renasceu das cinzas

A linha de fiação no Paraná iniciou em 1985. Na época, o Governo do Estado passou a gerar incentivos para que algumas cooperativas de produção tivessem interesse de instalação industrial. O intuito era agregar valor ao algodão – matéria-prima que, naquela ocasião, era produzida nas regiões norte, noroeste e oeste do Estado.

Em Campo Mourão foi instalada a Coamo; no município de Goiorê foi a Coagel, na cidade de Maringá foi a Cocamar e, em Toledo, surgiu a Coopagro. Essas fiações possuíam um parque industrial padrão.

“Em 1994, surgiu a Fiasul Indústria de Fios Ltda. A Coopagro, que tinha entrado em regime de liquidação, foi arrendada por um grupo de empreendedores formado pelo Rainer Zielasko, José da Luz Ochoa e eu”, recorda o presidente do Conselho de Administração da Fiasul, Augusto José Sperotto. “O início foi uma batalha. Não podíamos deixar a Coopagro fechar. Como ficariam os trabalhadores e suas famílias? Buscamos linhas de créditos nos bancos, mais empreendedores que pudessem investir, negociação com fornecedores e lutamos para dar continuidade ao processo de fiação”.

No ano de 1996, foi possível que esses empreendedores adquirissem os imóveis e as instalações da fiação. O processo ocorreu via assunção de dívidas junto ao Banco do Brasil S.A. Sperotto relata que foram diversas conversas, busca de condições de pagamento junto aos produtores de algodão, confiança dos colaboradores e um voto de credibilidade da comunidade.

DE BOBINA EM BOBINA – No início de sua trajetória, a indústria possuía 36 filatórios e produzia 250 toneladas do fio tipo cardado.  Em 1988, ocorreu a primeira grande ampliação. A mudança permitiu que a capacidade de produção fosse elevada para 480 toneladas por mês de fio cardado.

“Na época, nossas concorrentes eram as cooperativas. Ficava difícil competir com quem possuía benefícios fiscais e financeiros”, relata o diretor-presidente, Rainer Zielasko. “O grupo concordou que era o momento de inovar e no ano de 2002 iniciamos a produção dos fios open end e penteado. Dez anos depois, ampliamos a linha penteado com a aquisição de 22 novos filatórios e encerramos a produção do fio cardado”.

No ano de 2014, já com todo o processo de alteração consolidado, a indústria tinha capacidade de produção de 1.300 toneladas por mês. Em julho daquele mesmo ano, bateu recorde de faturamento e atingiu o status de maior fiação do Estado do Paraná.

DO ÁPICE PARAS AS CINZAS – “Dois meses, após atingirmos reconhecimento no Estado, vivemos um dos mais tristes momentos da indústria. Um incêndio de graves proporções destruiu completamente a linha de produção do fio open end. O sentimento de impotência tomou conta de todos os sócios. Mas sabíamos que era preciso ter a mesma força lá do início, o mesmo ânimo que motivou a criação da Fiasul para que ela pudesse renascer das cinzas”, recorda Zielasko.

“O sinistro quase acabou com nosso sonho de nos tornarmos uma das maiores e das mais modernas fiações do Brasil. Mas após o susto, ao pararmos para refletir e olhando para as centenas de famílias que também dependiam da nossa fábrica, iniciamos o processo de reconstrução e com muita determinação, coragem e auxílio de muitas mãos, traçamos um plano de modernização e de planejamento estratégico de gestão que nos colocou hoje em um outro patamar”, declara o sócio proprietário e um dos membros do Conselho de Administração, Flávio Furlan.

A FÊNIX DOS FIOS – Com a união, colaboração e trabalho de toda a ‘família Fiasul’, a indústria foi sendo reconstruída.  “A indústria, hoje, emprega mais de 700 trabalhadores de forma direta, estimando-se dez empregos subsequentes na cadeia têxtil. Estamos entre as maiores fiações de algodão do Paraná e uma das mais modernas da América Latina. Temos orgulho de sermos uma empresa genuinamente toledana e de estarmos contribuindo com o progresso de nossa comunidade e de nosso Estado”, enfatiza Furlan.

O presidente do Conselho de Administração da Fiasul, Augusto José Sperotto, destaca que com o sinistro foi preciso unir forças para fazer a ‘Fênix’ renascer. “Em 2016, já tivemos os primeiros retornos quando a linha open end voltou a funcionar com 30% da sua capacidade. No fim de 2017, já estávamos muito bem, praticamente, reinauguramos a indústria. Passamos por tudo isso durante uma crise econômica nacional, mudança de governo, greve dos caminhoneiros, entre outras adversidades. Neste ano, enfrentamos a pandemia. A lição que tiramos é que com planejamento, trabalho, valorização do ser humano, pois os ideais da empresa vão além dos portões, com responsabilidade social, vamos vencendo cada etapa e renascendo sempre que preciso”, conclui.