Fumacê deve combater o Aedes aegypti e não outros mosquitos

O JORNAL DO OESTE recebeu uma mensagem, na tarde de quarta-feira (11), de uma leitora contando que a sua residência assim como de suas vizinhas estão infestadas com mosquitos, principalmente, nos últimos dias. A mulher – que preferiu não se identificar – recorda que há poucos meses a equipe de Saúde realizou o serviço de fumacê na rua de sua casa e, por isso, ela acreditava que o insumo também eliminaria esses mosquitos.

A equipe da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) realizou o trabalho de pulverização de inseticidas para combater o mosquito da dengue em Toledo, também conhecido como fumacê, por mais de dois meses. A última pulverização foi finalizada em julho deste ano e encerrou o quinto ciclo no Município.

Na ocasião, a leitora questiona: Por que os outros tipos de mosquitos também não morreram? O chefe da Divisão de Vigilância em Saúde da 20ª Região Sanitária do Paraná Felipe Hofstaetter Zanini afirma que o fumacê tem como objetivo eliminar o Aedes aegypti adulto, por se tratar de um mosquito vetor da dengue. Além disso, o insumo não elimina a larva ou o ovo. “Contudo, por se tratar de um inseticida, outros animais podem morrer mas naquele momento. O produto não é residual e ele não fica em superfícies”.

Zanini explica que o trabalho de pulverização é realizado em horário do voo do mosquito, porque o foco é a eliminação do Aedes aegypti. Isso justifica o motivo das equipes analisarem o vento ou a temperatura antes de realizar a ação. “A bomba é regulada para lançar a partícula do inseticida e atingir o mosquito Aedes. O objetivo não é eliminar o bioma, e sim, controlar a doença dengue e, principalmente, quebrar o ciclo de reprodução do Aedes e reduzir a sua transmissão”.

De acordo com o chefe da Divisão de Vigilância em Saúde, existem mosquitos com habitat natural na mata e muitos deles não são vetores de doenças. “Não cabe a Saúde eliminá-los. O produto utilizado pelo Ministério da Saúde tem alto custo e, por isso, não existe autorização para o uso desse insumo para combater outro tipo de mosquito”, salienta o profissional ao enfatizar que o trabalho das autoridades em Saúde é quebrar o ciclo do Aedes e evitar a doença. “Por exemplo, não podemos usar este insumo para eliminar o pernilongo. O controle biológico de outros tipos de mosquitos não é papel da Saúde”, finaliza Zanini.

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