Guerreiras: a dedicação das mulheres da saúde ao enfrentamento à Covid-19

O mês de março é carregado de emoções. É quando se comemora o Dia Mundial da Oração, lembrado na última sexta-feira (5); o Dia Internacional da Mulher, que será nesta segunda-feira (8); e a triste marca de um ano da pandemia do novo coronavírus, na próxima quinta-feira (11).

Neste período, a sociedade teve que aprender a conviver com um vírus invisível, a sorrir com os olhos e a ter mais empatia com o próximo. Vimos tristeza, dor, medo e também encontramos esperança. Os heróis confirmaram que não usam capa, e sim, máscaras. E a força e a resiliência para enfrentar cada plantão eles conseguem em cada paciente, que não é apenas um número na estatística, mas sim uma vida pela qual eles lutam todos os dias.

Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, o JORNAL DO OESTE homenageia todas as mulheres, em especial as profissionais da Saúde que estão no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus.

São médicas, enfermeiras, técnicas, psicólogas, assistentes sociais, gestoras, mas também são mães, esposas, irmãs, filhas e amigas que há um ano se dedicam para prestar a melhor assistência aos pacientes. Com comprometimento, dedicação e responsabilidade elas sabem fazem a diferença no sistema de Saúde brasileiro.

LUTA – Em algumas instituições, as mulheres são a maioria, como é o caso do Hospital Beneficente Moacir Micheletto, em Assis Chateaubriand. Na instituição, as mulheres representam 80% do quadro de funcionários. Roberta Arneiro Dantas Lugli atua como médica visitadora e diretora técnica médica da instituição. Atender paciente grave faz parte da rotina diária da profissional.

Nesta pandemia, o trabalho no Hospital ficou mais intenso. Lidar com o vírus e o drama de cada paciente doente é um desafio diário. “Eu pensei: vai ser parecido com a H1N1, vamos lutar contra o desconhecido até a chegada da vacina. Nunca pensei que o Covid-19 poderia chegar a superlotar o sistema de saúde após 12 meses da circulação da doença”, conta Roberta.

DESAFIOS – Na luta diária contra a Covid-19, a médica também contraiu o vírus, no entanto, foi assintomática e não precisou realizar nenhum tratamento. Mas convivendo com a doença, com a dor e a solidão que ela causa, a médica pegou algumas lições para si. “Devemos valorizar mais os momentos especiais como ficar atoa em casa, brincar com as crianças, desenvolver momentos em família e nos preocupar mais com a nossa atividade física e mental”, pontua.

Para a médica, esses momentos em família são preciosos e únicos. Ela salienta que na pandemia, as funcionárias do Hospital que estão na linha de frente da Covid-19, enfrentam dificuldades para conciliar a vida pessoal e profissional.

“Esse é um momento de doação profissional, onde a nossa família precisa conviver com a nossa ausência e com o medo de ficarmos doentes para que possamos cuidar e salvar a vida de outras pessoas. Deixamos a nossa casa em segundo plano para que vida da população seja salva”, enfatiza a médica Roberta. E nessa troca – injusta – a profissional revela que o maior desafio tem sido o de não levar a doença para sua família.

FORÇA – Muitas vezes, a batalha contra a Covid-19 é longa. Um paciente pode ficar hospitalizado por semanas sob os cuidados dos profissionais de saúde. Dia após dia, cada conquista é uma vitória comemorada por todos. Na instituição, os profissionais também são surpreendidos com os desejos mais peculiares como tomar uma água com gás, comer polenta ou lavar o cabelo com um shampoo cheiroso.

Apesar da escuridão do vírus, os profissionais encontram nos próprios pacientes o alento e o ânimo para prosseguir na luta. “São os pacientes nos dão força para continuar. Nos tornamos membros da família de cada paciente internado. Sofremos com as perdas, mas renovamos nossas energia com os pacientes recuperados”, afirma.

Nesta segunda-feira (8), Dia Internacional da Mulher, nosso reconhecimento e respeito pelo trabalho das mulheres que atuam no Hospital Beneficente Moacir Micheletto. “Nesta pandemia, a nossa força vem da persistência e da resiliência diária em prol da vida. Somos todas “Mulher Maravilha” ajudando a salvar o mundo de uma doença viral”, finaliza a médica Roberta.


Em Assis Chateaubriand, a médica Roberta tem sido atuante no enfrentamento à Covid-19 – Foto: Divulgação

Da Redação

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