Indústria da Fiação: o poder das bobinas que tecem o mercado

Ele parece frágil ao ser desenrolado da bobina. A primeira sensação é que com um puxão seria muito fácil arrebentá-lo. De fina espessura, mas grosso o suficiente para impulsionar um mercado que veste, aquece e embeleza toda a população: o fio é base para a peça de tecido que tem vestido de esperança milhares de trabalhadores e empreendedores da indústria.

No Oeste do Paraná, precisamente no município de Toledo, está localizado o parque tecnológico mais moderno da América do Sul na produção de fios. A Fiasul Indústria de Fios Ltda fomenta o setor de fiação do Estado. São duas linhas industriais que produzem fios dos tipos penteado e open end. Em tempos de pandemia, quem consegue sobreviver ajuda a impulsionar a economia.

Criada em 1994, em 26 anos de atuação, a indústria passou de 280 toneladas/mês produzidas por 290 colaboradores, para 1.500 toneladas/mês com mais de 700 funcionários. Toda a matéria-prima usada na produção é cultivada em solo brasileiro. É o mercado nacional que ajuda o país a crescer mais.

“Em termos de produção nossa representatividade no Estado é de 20%. No Paraná e no território nacional estamos no ranking das cinco maiores. Isso demonstra a capacidade da indústria paranaense que não mede esforços para superar a crises e vislumbra as oportunidades nos momentos mais inesperados”, declara o diretor comercial, Gilson José de Camargo.

O mercado seguia em processo de retomada e esperançoso quando, no início de março, a pandemia de Covid-19 atingiu o Oeste. Foram quase 60 dias de dúvidas, contratos cancelados e negociação com credores. Em maio – segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – o setor industrial do Paraná registrou o maior crescimento do país com alta de 24,1% em relação a abril.

“Foi preciso contar com o árduo trabalho do Comitê de Crise, consultores externos e todos os colaboradores para traçarmos estratégias e enfrentarmos o momento”, comenta Camargo ao citar que, gradativamente, a indústria foi retomando o fôlego, as vendas e, hoje, com os pés no chão já enxerga outro cenário. “Foram dois meses de impacto, mas isso não foi prejudicial para a indústria em si. A empresa não desligou nenhum colaborador”.

OLHAR PARA O MERCADO INTERNO – Quando tudo parecia ‘estar por um fio’, as grandes magazines e empresas especializadas em vestuário, como a Hering, a Riachuelo e a Renner – clientes de longa data – voltaram o olhar o mercado interno. Essa mudança de comportamento tem beneficiado o setor industrial.

“É comum os estilistas das grandes empresas irem para o exterior buscar as tendências para as novas coleções”, destaca o diretor-presidente, Rainer Zielasko. “Quem iria ficar mais de quatro meses na China neste período de pandemia? A alta do dólar também é outro fator que tem inviabilizado a importação. Enquanto isso, é o produto do Paraná, do pujante Oeste, que ganha espaço, mais mercado e gera sustentabilidade as famílias empregadas”.

Os ‘fios do sustento’ são comercializados no Paraná, Santa Catarina (estado que compra aproximadamente 80% da produção), São Paulo e Minas Gerais. Além disso, aproximadamente 5% da produção atual é exportada, principalmente, para os países do Mercosul.

A indústria atua com produção máxima e não consegue atender toda a demanda. Zielasko afirma que se tivessem mais duas fábricas, do mesmo porte, teria mercado para cada bobina de fio produzida. “Logicamente, que este período tem gerado muita incerteza. No momento, é preocupante o fato do desabastecimento das caixas de embalagem, do papel e outros insumos, também existem os riscos da inflamação, mas é preciso ter planejamento, estratégia e saber administrar cada situação colocando no mercado produtos de qualidade”.

A FORÇA DA EMPREGABILIDADE – A produção atual é reflexo de condições que vão além do mercado externo. No período de maior dificuldade que enfrentaram, devido à pandemia, a indústria adotou medidas previstas no Programa Emergencial de Manutenção do Emprego, compensação de banco de horas e férias para não ter nenhum desligamento. A realidade atual consiste em novas contratações para que a produção ocorra 24 horas por dia e sete dias por semana.

A indústria é o setor que mais gera empregos em Toledo. Serviços e construção civil ocupam, respectivamente, a segunda e a terceira colocação segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

O secretário de Desenvolvimento Econômico do município, Alcídio Roques Pastório, avalia a representatividade do setor como um dos principais pilares de sustentação da economia municipal. “Toledo é agroindustrial. O agronegócio fomenta a rede econômica e integra a atuação das indústrias locais. É um ecossistema de integração funcional”.

Pastório pontua que as indústrias vivem um processo de retomada diante dos impactos causados pela pandemia. Ele acrescenta que em termos de contratação, os postos de trabalho perdidos em abril, foram novamente preenchidos nos meses assim. “O setor tem suas particularidades. O que observamos é um mercado interno mais propício diante da alta do dólar. Gradativamente, vislumbramos melhorias no segmento. A expectativa é fomentar o crescimento”.

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