Leitos de UTI Covid-19: quem vai ocupar a vaga?

Quem vive e quem morre. Desde o surgimento da Covid-19, essa ‘decisão’ passou a ser uma realidade em diversas Unidades de Terapias Intensiva (UTIs) do país e do mundo. Diante da insuficiência desse tipo de leito, protocolos foram pautados para auxiliar os médicos no processo de ‘escolha’ do paciente que irá ocupar o leito disponível. Quando se tratam de vidas, nada é tão simples.

“Quem regula os pacientes é a Central de Leitos”, explica o chefe da 20ª Regional de Saúde, Alberi Locatelli. “Os reguladores são médicos e utilizam critérios médicos, levando em conta a gravidade, a assistência no momento e outros fatores, porém sempre buscando dar atendimento a quem mais precisa no momento”.

Locatelli pontua que os critérios envolvem diversos fatores. “Os médicos avaliam a assistência, se o paciente que está entubado tem respirador e chega outro, mas que não tem condições devido a precariedade do local em que está, ele vai primeiro, a idade é um dos critérios, mas em último caso. Quem regulamenta é a Central, a gente não interfere nessa regulamentação porque isso não seria justo com nenhum paciente”.

O chefe da 20ª Regional de Saúde comenta que é complicado detalhar muito os critérios, pois isso cabe a área médica. “Como se trata de algo específico da área médica, nem todos entendem, com isso, os pacientes podem analisar de acordo com aquilo que acham correto e nem sempre é a visão médica. Por exemplo, tem dois pacientes aguardando leito e um foi e outro ficou, os parentes questionam essa escolha, mas foram critérios médicos que determinaram; os médicos regulamentadores mantêm contato com o médicos da origem, e vice-versa, para ver e analisarem os quadros do pacientes”.

A secretaria de Saúde de Toledo, Gabriela Kucharski, reforça que é a Central de Leitos o órgão que regulamenta essas vagas. “A regulação de leitos compete ao Estado, os critérios são elaborados pela regulação estadual, não pela Secretaria Municipal de Saúde”, pontua.

A ESCOLHA E A DEMORA – Essa angústia da espera por leito está sendo vivida por diversas famílias da 20ª Regional de Saúde. O dia a dia sem um retorno, as explicações técnicas dos médicos e a incerteza da cura geram cada vez mais medo.

“Meu pai tem 61 anos e pegou Covid-19. Ele é diabético e no último dia 19 foi internado no Mini-hospital. Os exames de raio-x e tomografia apontaram que ele já estava com 90% dos pulmões comprometidos. No dia 20, às 9 horas, ele foi entubado. Neste dia, ele foi o primeiro a ser intubado, eu sei porque despois que ele foi intubado, deixaram eu ver ele, pelo fato da sala estar vazia. Minutos depois foi intubada outra pessoa e no decorrer daquele dia, foram intubados mais pacientes”, relata a filha de um paciente que, até amanhã de ontem (27), aguardava um leito de UTI.

Segundo a jovem, na última sexta-feira (21), outros três pacientes que estavam na mesma unidade foram encaminhados para leitos de UTI e no sábado (22), mais um paciente também foi transferido, mas o pai dela continuava na espera.

“Na tarde de quarta-feira (26), outro paciente saiu dali, do mesmo lugar aonde meu pai está. Quando pedi explicação para os médicos, eles me disseram que quem define quem vai primeiro e quem fica é a Central de Leitos, que eles definem pelo que está no prontuário do paciente, ali fica registrado a prioridade. No prontuário do meu pai está com prioridade muito alta, então por que ele ainda não conseguiu esse leito? Quais são os critérios que eles estão usando pra escolher quem fica e vai, porque todos os pacientes estão com Covid-19 vivem a mesma situação”, indaga a mulher.

SOBRE OS CRITÉRIOS – A equipe do JORNAL DO OESTE entrou com em contato com a Central de Leitos para obter mais informações, contudo, até o fechamento dessa edição não obteve retorno.

TAXA DE OCUPAÇÃO

Segundo o boletim atualizado às 9 horas de ontem (27), a taxa de ocupação de leitos de UTI da 20ª Regional de Saúde estava em 100% e 25 pacientes aguardavam uma vaga, enquanto que na Macrorregião 109 pacientes aguardavam leito. O índice de ocupação dos leitos de UTI para pacientes com Covid-19 tem se mantido em alta desde março.

Da Redação

TOLEDO