Mesmo na pandemia, Bom Jesus é referência na captação de órgãos

O ente querido partiu – o diagnóstico foi de morte encefálica – contudo, deixou esperança para outras vidas, deixou chances de recomeços para outras famílias, deixou órgãos que podem ‘continuar vivendo’ em outros pais, mães e filhos. Para que esse ciclo de vida continue é preciso contar com o parecer dos familiares e com equipes que executam seu trabalho com carinho e comprometimento. Aceitar a doação de órgãos é um gesto de amor, de humanidade, de superação da dor. É a vontade da família que prevalece e é respeitada.

A Associação Beneficente de Saúde do Oeste do Paraná (Hoesp) – entidade mantenedora do Hospital Bom Jesus – é referência na captação de órgãos. Em 2020, a casa de saúde realizou 21 protocolos – ou seja, 21 famílias passaram pelo processo, totalizando 88% dos pacientes diagnosticados com morte encefálica para doação – sendo um dos mais elevados índices do Estado.

No ano retrasado, foram 28 famílias abordadas, com um total de 95% de taxa de conversação em relação à doação de órgãos. De acordo com o coordenador da Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (Cihdott) do Bom Jesus, Itamar Weiwanko, o Hospital ocupa posição de destaque dentro do sistema de doação e transplante de órgãos no Paraná. Weiwanko saliente que o mérito primeiro é das familiares dos pacientes que optam pela doação e também ao trabalho realizado pelos profissionais envolvidos.

“No mês de janeiro de 2021 tivemos o registro de quatro famílias que receberam o diagnóstico de morte encefálica do ente querido. Três famílias falaram sim para a doação dos órgãos. A quarta família não pode ser abordada, pois a paciente tinha um tumor cerebral não biopsiado. Diante desse quadro a legislação não permite que sejam captados os órgãos para serem transplantados”, explica o coordenador ao destacar que o órgão mais captado é o rim.

REFLEXOS DA PANDEMIA – Dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) apontam que, mesmo com a pandemia da Covid-19, o Paraná os índices de doações de órgãos no ano de 2020. Cada região reagiu de maneira diferente. Novos protocolos como a testagem em pacientes com suspeita da doença passaram ser feitos para que todo o processo possa ser realizado com segurança.

“Apesar do cenário de pandemia e todas as dificuldades para o protocolo, diagnóstico e abordagem das famílias, ainda somos destaque em nível de Estado e também nacional em relação às doações. É importante que toda a população saiba que mesmo com a pandemia existem pessoas que precisam de órgãos. Quanto mais tempo esse paciente ficar na fila de espera acaba tendo o estado clínico agravado e pode entrar em óbito durante esse aguardo”, cita o coordenador ao enfatizar que quando a família recebe o diagnóstico de morte encefálica dizer sim para a doação de órgãos ajuda a salvar outras vidas.

MAIS DADOS DO BOM JESUS – Em 2018, foram registrados 28 protocolos de atendimento. Desses, 27 famílias, mesmo sentindo a dor de perder um ente querido, viram na doação dos órgãos uma foram de manter vivo o amor e deram a chance de outras pessoas terem um recomeço de vida.

Já no ano de 2017, 35 famílias passaram pelo processo de doação de órgãos ou de tecidos para transplante. Foram 18 pacientes, que após o coração ter perdido as suas funções, fizeram a doação de tecidos, córneas, valvas cardíacas e ossos. Outros 17 doadores, foram diagnosticados com morte cerebral devido alguma patologia neurológica.

ABORDAGEM FAMILIAR DELICADA – É doloroso receber a notícia de que um familiar teve morte encefálica. Ao passar por essa situação o sentimento de angustia toma conta dos corações dos entes queridos. O processo de abordagem, para possível captação de órgãos, ocorre durante um momento de tristeza, por isso, os profissionais precisam estar bem preparados.

Somente após serem concluídos os protocolos pré-estabelecidos pelo Estado é que acontece a abordagem da equipe. A falta de conhecimento em relação a morte encefálica e se, de fato, o familiar tinha o desejo de doar os órgãos são as principais dúvidas em relação ao autorização da captação. O desejo da família é respeitado. A diferença entre doar ou não doar é saber que o ente querido partiu, mas ele ainda pode ajudar a salvar outras vidas e trazer esperança para outras famílias.

O diretor pontua que o ideal é que as pessoas conversem sobre o assunto com seus familiares sobre o desejo de ser um doador ou de não querer passar por isso, pois essa conversa facilita a decisão do momento. Weiwanko agradece o trabalho das equipes que buscam aperfeiçoamento constante para realizar esse processo de abordagem e captação e aos familiares que aceitam fazer a doação e dessa forma ajudam a salvar a vida de quem está na fila de espera.

Da Redação

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