Milho safrinha aponta quebra superior a 26% na Regional de Toledo

A estiagem no período de implantação da cultura do milho safrinha pode trazer reflexos na colheita do grão na safra deste ano. A falta de chuva atrasou a semeadura e, por consequência, o desenvolvimento das plantas. A atualização mensal dos dados já aponta quebra na produtividade do grão.

De acordo com informações do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), a área do milho safrinha na Regional de Toledo foi atualizada para 427,820 mil hectares, uma redução de 0,7360% da área em relação ao que foi plantado no ano passado, que foram 430.926 hectares. “Essa área já está praticamente concretizada e 95% das lavouras estão em fase de frutificação e 5% em fase de maturação”, explica o técnico do Deral Paulo Oliva.

QUEBRA – Para o milho safrinha deste ano, a estimativa inicial era colher 2.500.000 toneladas do grão. Com o ajuste realizado de acordo com o andamento da cultura, a Seab trabalha agora com uma estimativa de 1.839.634 toneladas do milho, uma quebra de 26,41%. A estimativa de colheita está próxima do volume colhido na safra do ano passado, quando a produção na Regional de Toledo foi de 1.982.690 toneladas.

“Tivemos essa quebra na safra em função do clima. A falta de chuva na época da semeadura atrasou o plantio do milho e também prejudicou o desenvolvimento da lavoura. A expectativa é colher esse volume, mas para isso precisamos de chuva”, complementa o técnico do Deral.

Oliva enfatiza que as condições climáticas deste ano estão bem parecidas com o mesmo período registrado no ano passado. Apesar das chuvas dos últimos dias, que amenizaram o período de seca, ele explica que as lavouras já estão em condições suscetíveis aos problemas climáticos, principalmente em relação a geada.

“Se tivermos geadas neste inverno, os reflexos serão observados mais para a frente. Porém, o produtor está preocupado. Nossa região demanda muito e é importante produzir o máximo possível do grão. A expectativa é de uma safra semelhante ao que foi no ano passado”, pondera Oliva.

Já o trigo, o técnico Paulo Oliva conta que a área do grão foi atualizada para 39.635 hectares plantados e uma produção estimada para esta safra de 120.886 toneladas. “O trigo é uma cultura de inverno e a condição climática é favorável. O produtor já fez os tratos necessários nas lavouras. A área deste ano é maior por conta da redução na área do milho safrinha. Com o atraso no plantio da soja no ano passado e o período mais apertado para a semeadura do milho safrinha, alguns produtores optaram em plantar o trigo”, esclarece.

ESTADO – De acordo com o Boletim Semanal, divulgado pelo Deral na última quinta-feira (24) a produção atual esperada para a segunda safra de milho 20/2021 no Paraná é de 9,8 milhões de toneladas, uma redução de mais de 4,9 milhões de toneladas quando comparada a produção inicial esperada. A perda percentual é de 33%. No momento o maior volume perdido de milho está na região Oeste, totalizando 1,8 milhão de toneladas ou 37% da perda total do estado.

As chuvas que ocorreram durante o mês de junho de 2021 contribuíram para uma redução da perda no campo e estabilização das condições gerais de lavoura. O último relatório do Deral/Seab, referente a semana do dia 20 a 24 de junho, apontou que dos 2,51 milhões de hectares plantados no estado, 26% tinham condições boas, enquanto 42% apresentavam situação mediana e 33% condições ruins.

Os preços do cereal cotados no dia 22 de junho apresentavam estabilidade no mercado internacional quando comparado ao fechamento do mês de maio de 2021. Porém, em relação ao fechamento de abril de 2021, a queda é um pouco maior que 10%. Já no mercado doméstico a situação é um pouco diferente. O preço recebido pelo produtor paranaense pela saca de 60 kg na terceira semana de junho foi de R$ 79,94, uma queda de quase de 13% quando comparado ao fechamento do mês de maio de 2021. Este descolamento do mercado internacional, em parte, é reflexo da valorização do real frente ao dólar.

TRIGO – A nova avaliação de área de trigo aponta uma área de 1,18 milhão de hectares no estado ante 1,17 projetados em maio e 1,14 plantados na safra anterior. Apesar de sutil, a revisão reflete o bom momento de campo. As chuvas registradas são suficientes para uma boa germinação. No estado do Paraná, de acordo com o Boletim Semanal, a área de trigo já está com 92% plantada, valor acima da média dos últimos cinco anos, e com 95% das lavouras em boas condições. O plantio agora deve evoluir na região mais fria do estado, onde foram verificados a maior parte dos reajustes de área neste mês. Nas regiões mais quentes, algumas lavouras devem começar a formar a espiga, quando geadas são prejudiciais e as atenções devem se voltar para este fenômeno. Caso se mantenham as condições positivas observadas até o momento, a estimativa é colher uma safra de 3,8 milhões de toneladas a partir de setembro no Paraná.

Da Redação

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