Milho safrinha apresenta quebra de 58% na Regional de Toledo

Fatores climáticos como a estiagem, as fortes geadas e a agressividade de algumas pragas levaram à redução na estimativa da safra de grãos 2020/21 no Paraná. O relatório – divulgado na última quinta-feira (29) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento – aponta que serão produzidas 34,4 milhões de toneladas em 10,4 milhões de hectares. O volume é 16% menor que os 41,2 milhões de toneladas de 2019/20, ainda que a área seja 4% maior.

Em relação ao milho, na comparação com a estimativa inicial de se produzir 14,6 milhões de toneladas, já se tem como certa a perda de 8,5 milhões, o que representa 58% da produção. Estima-se que é o maior volume de perda da história do Paraná, segundo a Seab. Com menos produção, o preço ao produtor está superando R$ 90 a saca neste mês, o que aumenta os custos para empresas de frango e de suíno.

MILHO SAFRINHA – Na área da Regional de Toledo, a realidade da cultura do milho, em especial a segunda safra (2020/21), não é diferente. De acordo com informações do Deral, a área do milho safrinha na Regional de Toledo é de 427.822 mil hectares. A produção estimada já é calculada em 1.065.804 toneladas, uma quebra de 58% da safra, dado que já está quase concretizado, de acordo com a engenheira agrônoma e técnica do Deral no Núcleo da Seab de Toledo Jean Marie Ferrarini.

“Tivemos condições de muita estiagem e agora a forte geada. São fatores que interferem no milho safrinha. Os dados de quebra estão praticamente concretizados, o que pode alterar é em relação a qualidade do grão. Por conta da geada, ele perde peso”, explica ao complementar que a produtividade está calculada em 2.500 quilos/hectare.

COLHEITA – No campo, 3% das lavouras já foram colhidas. Os trabalhos irão se intensificar durante todo o mês de agosto. Em relação as lavouras que ainda serão colhidas, 58% apresentam condição ruim; 32% média e apenas 10% apresentam boas condições segundo o Deral. O relatório atualizado na última quinta-feira (29) ainda aponta que 90% das lavouras estão na fase de maturação e 10% de frutificação.

Com um valor superando R$ 90 a saca, o preço do milho poderá interferir em toda a cadeia produtiva. “Temos uma perda de milho muito grande e isso reflete em toda a produção, principalmente na cadeia de proteína animal. A geada também prejudicou outras produções no Estado e no Brasil. O reflexo virá na forma de inflação que poderemos ter nos próximos meses”, salienta Jean Marie.

TRIGO – E as consequências da geada dos últimos dias ainda não foram contabilizadas na produção de trigo. A engenheira agrônoma e técnica do Deral explica que essa avaliação será possível fazer em duas semanas quando as lavouras apresentam os reflexos da geada.

A área plantada do trigo na Regional de Toledo é de 39.635 hectares e a produção estimada é de 120.886 toneladas nesta safra. Segundo o Deral, 90% das lavouras apresentam boas condições. Na Regional, 97% do trigo está na fase de floração e apenas 3% na fase de desenvolvimento vegetativo. “A nossa área de trigo é bem pequena, representa 3% do Estado, porém 97% está na fase mais suscetível às condições adversas como a geada. Se tivermos mais geada severa poderemos ter uma quebra significativa na produção do trigo”, conclui.

Da Redação*

TOLEDO

*Com informações da AEN