Milho safrinha: grão necessita de boa condição climática e expectativa é de grande colheita

Os pequenos pés de milho já apontam no horizonte com a promessa de uma boa safra na região Oeste. As lavouras do milho segunda safra, ou safrinha popularmente chamado no campo, estão, praticamente, todas na fase de desenvolvimento vegetativo. Mesmo com uma pequena redução na área plantada, a estimativa é de uma grande colheita do grão.

De acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), a área do milho safrinha na safra deste ano é de 425 mil hectares, uma redução de 1,3752% em relação a área plantada em 2020, que foi de 430.926 hectares.

O técnico do Deral Paulo Oliva explica que essa redução de, aproximadamente, seis hectares será incorporado nas lavouras de trigo. “Há produtores que acabam optando para o trigo e, por isso, reduzem um pouco a área do milho, mas foi uma redução bem pequena e que não vai interferir nos números finais da safra”.

PRODUTIVIDADE – Mesmo com a pequena redução na área, a produção estimada do milho, safrinha é de 2.550.000 toneladas, um acréscimo de, aproximadamente, 28,61% em relação a produção do ano passado que foi de 1.982.690 toneladas. “O milho safrinha do ano passado sofreu com a seca, geada, entre outros fatores climáticos que pesaram na produção. Esperamos não ter esses problemas neste ano”, complementa.

Com 100% das lavouras germinadas, Oliva salienta que o produtor conta com temperaturas agradáveis, chuvas regulares e frio menos intenso, sem geada. “Apesar das previsões indicarem um período mais seco e com poucas chuvas, a planta nessa fase necessita de umidade para o desenvolvimento. E mais para frente, não pode haver geada que comprometa a produção”.

Além de cuidar do desenvolvimento da planta, Oliva salienta que o produtor deve ficar atento ao controle de pragas e doenças. “Tem se observado uma intensidade maior de cigarrinha do milho e o produtor deve fazer o controle de pragas nas lavouras”, pontua o técnico.

PREÇO – O milho está sendo comercializado a R$ 86 a saca de 60 quilos. O técnico do Deral Paulo Oliva enfatiza que é preciso manter a estimativa de produção para atender a demanda interna, que abastece a cadeia produtora de proteína animal da região Oeste e a demanda interna e de exportação. “Por isso, é importante que tenhamos uma boa safra. Ano passado vários fatores como a seca prejudicaram a produção. Neste ano contamos com uma boa safra”.

ZONEAMENTO – A semeadura do milho safrinha deste ano foi feita em um período de zoneamento muito curto. O atraso para a colheita da soja, que sofreu com a estiagem e, posteriormente, com o excesso de chuva impactou no plantio do milho. Muitos produtores ‘travaram’ uma corrida contra o tempo para colher a soja e plantar o milho dentro do prazo para perder o seguro rural.

No município de Toledo, o período do zoneamento encerrou no dia 10 de março. O presidente do Sindicato Rural de Toledo Nelson Paludo comenta que uma parcela dos produtores não conseguiu cumprir esse prazo.

“Na última semana de colheita muitos produtores conseguiram avançar trabalhando dia a noite para plantar o milho, mas uma parte dos produtores ficou foram do período do zoneamento e agora assume os próprios riscos, ficaram de fora do seguro”, pontua ao complementar que os dados finais serão apresentados na próxima reunião do Conselho Municipal do Desenvolvimento Rural, ainda com data a definir.

No dia 26 de fevereiro, a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Estado do Paraná (Seab), o Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) e a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) solicitaram, em condição excepcional, a prorrogação de dez dias nos períodos de semeadura do milho 2ª safra estabelecidos no Zoneamento de Risco Climático (Zarc) para o Paraná. A medida seria uma forma de assegurar que toda a área seja cultivada com as garantias da política agrícola.

O pedido foi negado no dia 10 de março, com base na Nota Técnica n°4/2021, da Coordenação Geral de Risco Agropecuário, da Secretaria de Política Agrícola do Mapa. Segundo a análise, o Zarc não é proibitivo, mas é um critério adotado para que os produtores tenham acesso ao Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e ao Programa de Subvenção ao Seguro Rural (PSR).

Ou seja, os agricultores podem fazer o plantio fora do período estabelecido, mas perdem a proteção desses programas. A nota também destaca que plantios feitos fora da janela na região Centro-Sul do país tem resultado em colheitas em condições inadequadas de temperatura e umidade, o que tem favorecido perdas nas lavouras.

“Agora está em estudo fazer esse pedido do prolongamento do prazo para o próximo ano. A definição deve ser feita de um ano para o outro. Desta vez ficou muito em cima do prazo e haviam muitas decisões a serem tomadas. Há cerca de 14 seguradores envolvidas e é necessário fazer um trabalho em conjunto”, conclui Paludo.

Da Redação*

TOLEDO

*Com informações da Assessoria