Município deverá adotar ações para a condição sanitária dos animais silvestres

O estudo piloto sobre a situação sanitária dos animais silvestres de Toledo foi abordado durante a reunião ordinária do Conselho Municipal de Meio Ambiente (CMMA) realizada na manhã de ontem (28). O estudo faz parte de um Convênio firmado entre a Universidade Federal do Paraná (UFPR), campus Palotina e Prefeitura de Toledo, com recursos do Fundo Municipal do Meio Ambiente.

Iniciado em 2016, o projeto desenvolveu diferentes ações no Jardim Zoobotânico. A equipe realizou avaliação clínica, exame de fezes, sangue, radiografia e internações no Hospital Veterinário, em Palotina.

O estudo aborda aspectos da ocorrência de agentes zoonóticos em populações de gambás-de-orelha-branca (Didelphis albiventris), quatis (Nasua nasua) e pombos-domésticos (Columbia livia) de ocorrência em parques urbanos, unidades de conservação e áreas verdes do município (RPPN Recanto Verde, RPPN Osvaldo Hoffmann, RPPN Wilson Eugenio Donin Marta da Assermuto, Parque Ecológico Diva Paim Barth e Parque Urbano Genovefa Pizzato) com instalação de armadilhas de captura para pesquisa.

O conjunto de parques foram classificados como em três níveis de grau de urbanização (baixo, média e alta) e a qualidade de saúde dos animais analisados foi relacionada com esse fator.

RECOMENDAÇÕES – Na reunião do Conselho – em abril – o professor da UFPR e médico veterinário Anderson Luiz de Carvalho, coordenador geral do projeto, apresentou o relatório final desse estudo piloto. O projeto foi concebido no conceito de saúde única, que relaciona a saúde humana dependente da saúde dos animais e do meio ambiente, garantindo condição ambiental adequada para todos.

Conforme o coordenador geral do projeto, o documento apresenta recomendações ao Município e informações relevantes para a Saúde Pública. Uma das sugestões é o Município avaliar a possibilidade de implantar um programa para avaliação e plantio de mudas de espécies arbóreas frutíferas nos diferentes fragmentos florestais do município. Assim, os animais silvestres, como gambás e quatis terão alimentos naturais.

O médico veterinário comentou que em hipótese alguma recomenda-se a suplementação alimentar à estes animais, sejam gambás, quatis ou pombos, sob pena de indução à superpopulação e aumento dos problemas relacionados aos animais.

CONSCIENTIZAÇÃO – Outra recomendação pontuada pelo professor é realizar trabalho de conscientização e informação da população para que evitem o acesso de animais domésticos, como cães e gatos em áreas de mata no município. “A população também pode colaborar auxiliando no controle de ectoparasitas em seus animais de estimação”.

O estudo também sugere a retirada do pombal ou o seu fechamento com tela, de forma gradativa ou aguda, para impedir o acesso dos pombos-domésticos. O coordenador do projeto salienta a necessidade de realizar trabalhos de conscientização e de informação à população para a interrupção de práticas de alimentação de pombos-domésticos em áreas de parques.

O professor ainda recomenda a continuidade ao processo de vigilância epidemiológica em animais silvestres, seja com a própria equipe do Município ou em associação com outras instituições.

RELEVÂNCIA – Durante o período de realização do projeto, a equipe apresentou ao CMMA o andamento de cada ação, ao final, antes mesmo de concluírem os exames. “Teve uma segunda apresentação e, por fim, agora já com todos os dados dos exames laboratoriais foi enviado o relatório final e terceira apresentação aconteceu durante Assembleia do Conselho neste ano”, afirmou o presidente do CMMA Julio Daniel do Vale ontem (28).

O presidente do CMMA avaliou o trabalho da equipe como relevante, porque o estudo oferece dados para a realização de ação de conservação das espécies. “O estudo é uma base para a Secretaria de Meio Ambiente estabelecer metas e monitorar as espécies silvestres de Toledo”.

Da Redação

TOLEDO