Novembro roxo: um mês de conscientização sobre a prematuridade

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), no Brasil, por ano, nascem quase 300 mil bebês prematuros. O número coloca o país na 10ª

posição no ranking mundial de prematuridade, que é a maior causa de mortalidade infantil até os cinco anos de idade em todo o mundo.

É considerado prematuro o bebê que nasce antes das 37 semanas de gestação. Com o objetivo de alertar sobre o crescente número de partos prematuros e de preveni-lo e informar sobre as consequências do nascimento antecipado, ações de conscientizações são realizadas em novembro, considerado o Mês Internacional de Sensibilização para a Prematuridade.

No âmbito da 20ª Regional de Saúde (RS), os profissionais de Saúde realizam diversas ações e monitoramento das gestantes para reduzir os índices de óbitos de pré-maturos. Em 2019, foram registrados 32 óbitos prematuros, uma taxa de 55% de prematuridade.

A chefe da Divisão de Atenção à Saúde da 20ª Regional de Saúde de Toledo Nissandra Karsten comenta que reduzir esses índices no ano de 2020 tem sido um desafio. Com a pandemia da Covid-19, houve um aumento de absenteísmo das gestantes nas consultas e exames de rotinas.

“Tivemos que trabalhar muito com as equipes de Saúde em estratégias de busca ativa dessas gestantes, fazer o monitoramento por telefone, agendamento exclusivo para gestantes, Unidades Básicas de Saúde exclusivas para o atendimento às gestantes, entre outras ações. Tivemos que nos reorganizar para trabalhar e manter a qualidade do pré-natal das gestantes”.

 

ACOMPANHAMENTO – Nissandra esclarece que esse acompanhamento é imprescindível, porque caso ocorra alguma alteração que passe despercebida poderá ocasionar o aumento de partos pré-maturos, como uma infecção urinária que não foi identificada, por exemplo.

Apesar das restrições que a pandemia impôs e a limitação de várias ações pontuais, ela explica que as equipes de Saúde dos 18 municípios da Regional reorganizaram os serviços. Um dos trabalhos está focado no auto cuidado no sentido de orientar as gestantes para identificar sinais de alerta e quando procurar uma unidade de saúde. “A nossa preocupação é esclarecer bem para a gestante os sinais de alterações e a urgência em procurar o atendimento médico”.

Nissandra comenta também que neste período de pandemia, muitas gestantes acabaram ‘descobrindo’ a gravidez mais tarde ou que tiveram aborto e não sabiam que estavam grávidas. “Percebemos que precisamos retomar o diálogo com a comunidade sobre os sinais e o que fazer quando a mulher suspeita de gravidez. O fato de começar o pré-natal mais tarde é um fator que pode ocasionar a prematuridade, porque alguns exames importantes são realizados no primeiro trimestre de gestação”, complementa.

A chefe da Divisão de Atenção à Saúde da 20ª RS salienta que uma das principais causas de óbito pré-maturo é a demora do reconhecimento do problema. A paciente está com sangramento e perda de líquido, contrações, dores de cabeça, membros inchados, ganho de peso excessivo, entre outros fatores e as vezes demora até três dias para procurar um médico. “É preciso alerta a qualquer alteração ainda mais porque estamos em um período pandêmico onde a gestante tem que estar atenta aos sinais de suspeita de Covid-19”, completa.

 

AÇÕES – Para as ações de 2021, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) trabalha na revisão da linha de atendimento materno-infantil. Nissandra comenta que neste ano na 20ª RS foi realizada uma rodada de ações e capacitações em todos os hospitais que realizam partos. Para 2021, o planejamento inclui trabalhar com os Conselhos Municipais de Saúde sobre as demoras que a paciente tem no reconhecimento do risco. “Entendemos que os Conselhos de Saúde com a atuação da população podem nos ajuda a fazer campanhas e abordagens cada um dentro da sua realidade nos municípios”, conclui.

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