Olinda Fiorentin lamenta extinção da Secretária da Mulher em Toledo

“Quem quiser trabalhar contra às Mulheres fará isso sozinho. Eu estou aqui por mim e por cada uma das mulheres que está lá fora”. A frase é da vereadora Olinda Fiorentin na tribuna da Câmara de Vereadores que realizou a segunda votação – em uma sessão extraordinária ontem (14) – a reforma administrativa proposta pelo Poder Executivo através do PL 57/2021. Um dos pontos mais polêmicos foi a extinção da Secretária de Políticas para Mulheres (SMP).

Olinda fez uma defesa emocionada em uma última tentativa de convencer os demais legisladores da importância da pasta e do prejuízo do retrocesso. Olinda lembrou que a conquista é histórica e que a representatividade perdeu imensamente com a decisão da maioria dos vereadores e vereadora. “Infelizmente votamos apressadamente e sequer foi possível ter um tempo de articular e chamar a sociedade para impedir tantas perdas! Uma estratégia pouco democrática, porém, legal e eu preciso respeitar. O prefeito Beto Lunitti ouviu e foi convencido por quem não têm às mulheres como prioridade”, destacou a vereadora.

INTERESSE – “Na ausência de políticas públicas o que resta a nós mulheres é pegar a mão umas das outras. Mulheres anônimas que se levantam em uma rede de proteção frágil e forte ao mesmo tempo. Uma mulher resgata, a outra leva para a delegacia, a próxima investiga, outra leva pra casa e alguém depois precisa gritar que basta de violência e ausência do Estado”, disse a vereadora em reconhecimento a empatia feminina na sociedade.

Líder do bloco “Amor por Toledo”, Olinda Fiorentin também criticou a falta de interesse de alguns setores pelo tema. “Infelizmente algumas entidades, personalidades, lideranças e órgãos importantes se calam, silenciam e o desmonte vai acontecendo antes do recesso para que o assunto tenha tempo de esfriar o suficiente para não atrapalhar o sono tranquilo dos que nunca precisaram das políticas para mulheres para sobreviver”, considerou a vereadora.

Em referência ao Conselho Municipal da Mulher, Olinda leu parte da ata número dois, trecho em que se relata a tristeza de algumas conselheiras com a extinção da pasta e que mesmo assim o processo seguiu para o desfecho atual. “Em outras palavras, a dor do parto foi sentida, mas mesmo assim a Secretaria da Mulher foi abortada”, declarou Olinda.

LUTA – Mesmo depois da amarga derrota das mulheres na Câmara, Olinda pediu desculpa para o público feminino e reafirmou que segue na luta para que a situação seja revista e que não enterre iniciativas que valorizem e promovam políticas públicas para essas mulheres. “Nenhum direito foi conquistado e mantido de forma pacífica e omissa. Não tenho problemas em fazer o enfrentamento. A causa é justa e lá fora têm uma multidão de mulheres e homens que esperam com esperança por essa luta”, finaliza a vereadora.

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