Operação Pantanal: um missão desafiadora

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Amazônia e o Pantanal tiveram recordes nos números de incêndios registrados no mês de outubro de 2020. A Floresta Amazônica obteve 17.326 focos de incêndios no mês passado, mais que o dobro de outubro de 2019, quando foram registrados 7.855.

No Pantanal, o número chegou a 2.856, contra 2.430 registrados no mesmo período do ano passado. Este é o pior ano para a região desde que a o Inpe passou a contabilizar os registros de focos ativos de fogo, em 1998.

E é neste cenário que o 1º sargento Paulo Sergio da Silva atuou durante 16 dias.

No cargo de chefe de Socorro do Corpo de Bombeiros de Toledo, essa é a primeira vez que o sargento Sergio participa de uma grande operação fora do Estado do Paraná. Para ele, a Operação Pantanal 2020 foi uma experiência inesquecível. “Oportunidade única de fazer parte da Operação Pantanal 2020. Particularmente, vejo como um prêmio para minha carreira de mais de 15 anos na Corporação”.

O sargento saiu de Toledo no dia 7 de outubro e na região ele atuou a frente de combate na qual a Força Tarefa do Paraná ficou responsável em Corumbá (MS), município que fica completamente dentro da área de Pantanal, no Mato Grosso do Sul. “Foi uma ocorrência com grande magnitude, regada a muito trabalho árduo, extremamente extenuante, mas feito a cada combate, a cada ataque ao fogo com muita vibração”.

A rotina de 16 dias de combate ao fogo no Pantanal foi desenhada a cada missão. O primeiro dia de combate, o sargento contou que foi designado entre seis bombeiros do Paraná para uma frente de fogo em uma fazenda a 100 quilômetros de Corumbá.

Nesta ação, o trabalho era para proteger uma área do Pantanal que estava queimando e a própria fazenda onde foram alojados. “Pousamos com dois aviões monomotor na pista da fazenda e logo em seguida metade dela foi consumida pelo fogo. Dentro de cinco dias havíamos controlado a situação, local que era programado pra dez dias”, cita.

 

CONTROLE – Diariamente, o trabalho na região do Pantanal concentrava-se na madrugada, a atividade inicia por volta das quatro horas da manhã e seguia até o anoitecer. Após às 14 horas, o combate ao fogo ficava muito crítico. “Focos surgiam por todos os lados. A força tarefa chamava essa hora de ‘hora do inferno’. Era muito complicado. Muitas vezes aquilo que a gente ganhava cedo em relação ao fogo, perdia a tarde e daí a noite voltávamos com tudo para tentar equilibrar e ter vantagens sobre o avanço do fogo”, lembra o bombeiro.

Mesmo com o trabalho árduo durante o dia, a noite era difícil dormir por conta do calor extremo. Além disso, uma equipe tinha que fazer as rondas para identificar se o fogo não avançava em locais críticos oferecendo riscos a sede da fazenda.

O sargento salienta que no combate ao fogo, os bombeiros contavam com o apoio que as fazendas, retiros e hotéis fazendas podiam oferecer como máquinas e implementos que pudessem ser usados para combater, retardar ou minimizar o fogo.

 

DESAFIOS – As distâncias a serem percorridas pela equipe que o sargento estava eram sempre grandes. “Muitas vezes, mesmo estando em uma sede ou local para ter uma base para trabalho, ainda assim tínhamos que deslocar 20 ou 30 quilômetros para combater as chamas”.

Além dos grandes deslocamentos, outros desafios que a equipe enfrentou são relacionados a locais com mata fechada, onde o combate se tornava ainda mais exaustivo e difícil. “Tanto que em alguns lugares o combate só foi possível com os aviões ‘Air Tractors’, que deram suporte para diminuir a intensidade do fogo”, complementa.

 

ATUAÇÃO – A Operação Pantanal 2020 contou com uma força tarefa com bombeiros militares de todo o Estado do Mato Grosso do Sul, Paraná, Distrito Federal, Santa Catarina, Bahia e do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais, um Centro Especializado do Ibama com atuação na educação, pesquisa, monitoramento, controle de queimadas, prevenção e combate aos incêndios florestais no Brasil.

Para o sargento Sergio, o sentimento de participar dessa missão é dever cumprido. Ele agradece o comandante de Toledo, Capitão Zarpellon e o comandante da Unidade Major Rogério Lima de Araujo que possibilitaram essa experiência.

“Uma realização que vai ficar marcada na minha história e como o Corpo de Bombeiros do Paraná traz gravado como lema “Por uma vida todo sacrifício é dever”, acredito que todos os envolvidos na missão honraram esse lema e saíram ainda mais dignos desse trabalho. O Paraná por sua vez foi muito elogiado e fico ainda mais feliz por ter colocado o Corpo de Bombeiros de Toledo entre as corporações que colaboraram com essa missão”, conclui o sargento Sergio.

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