Outubro Rosa: a força e a coragem de todas as mulheres guerreiras

Elas são mulheres de garra, de força, de coragem, de vontade de viver. Elas são heroínas, aquelas que enfrentam cada batalha, que encontram motivação nas coisas simples, que são vitoriosas. O Outubro Rosa reforça que todas as mulheres são especiais, precisam fazer os exames e cuidar do corpo e da mente.

O câncer de mama é uma triste realidade que atinge milhões de mulheres. A dor da perda é duramente sentido por aqueles que ficam. As vitoriosas têm muito a festejar e celebrar a vida, pois superaram os tratamentos, a perda dos cabelos, a retirada da mama (em diversos casos), mas venceram.

Em dezembro do ano passado, durante o autoexame, a empresária, Mourize Ellwanger, descobriu uma ‘bolinha’ na mama direita. “Como a maioria das mulheres, achei que não seria nada, e pensei ‘em fevereiro terei que repetir meus exames e veremos o que vai ser’. Em janeiro fui levar uma das minhas filhas na fisioterapeuta, Danieli Barreto, e por um acaso comentei com ela, que foi o meu ‘anjo da guarda’ e sem me falar nada marcou uma consulta com o médico oncologista Fabrício”, recorda ao citar que já fazia os exames preventivos desde que colocou prótese, quase oito anos.

Mourize conta que foi a consulta, pois ficou com vergonha de desmarcar. Na época, os exames estavam bem, mas o médico examinou e achou a ‘bolinha’ estranha, por isso, solicitou alguns exames mais específicos para ver se obtínhamos resultados.

 

O DIAGNÓSTICO – “No dia 13 de fevereiro recebemos a comprovação. Fui diagnosticada com câncer de mama (carcinoma mamário invasivo). No instante em que recebi a notícia fui incapaz de ter qualquer sentimento, tenho certeza que o médico achou que eu estava me fazendo de durona, mas não, eu fiquei sem reação, porque olhando pra feição do Ademar, meu marido, de desespero, eu tive que me fazer de forte. Saímos do consultório direto para Cascavel para mais exames e neste período falei pro Ademar que não contaria nada pra ninguém, pois no dia seguinte levaríamos a Maria Eduarda (nossa filha mais velha, de nossas quatro Marias) para morar em Curitiba”.

No retorno para Toledo, Ademar disse para a esposa que era preciso contar e no final daquele dia 13 de fevereiro, eles deram a notícia. “Minha maior preocupação ainda era como dar a notícia pra minha mãe, achando que fosse enfartar, mas ela reagiu igual a mim no consultório – não derramou uma lágrima, pois o desespero das meninas já era demais. Pareceu tudo muito certo, tudo escrito, as coisas foram se encaixando perfeitamente, tudo foi muito rápido”, recorda.

Foi curto o intervalo entre os exames, a cirurgia e a quimioterapia. Isso tranquilizou Mourize. Depois do procedimento cirúrgico iniciaram as quimioterapias vermelhas – foram quatro de 15 em 15 dias -, depois virem mais 12 das brancas – semanais – e junto com as brancas começou um tratamento de imunoterapia – 18 sessões de 21 em 21 dias que vão terminar em abril de 2021. Além disso, ela fez mais 30 sessões de radioterapia.

 

REAÇÃO DA ALMA – “Sabendo que o maior baque seria na minha família tentei amenizar todas as dificuldades, inclusive o cabelo. Antes que ele caísse, fiz várias mudanças e todos me acompanharam, inclusive amigos próximos. Cortamos e tingimos o cabelo, para que entendessem que eu não era só cabelo, sou uma mulher devastadora, onde chagava, chego ou chegarei, meu sorriso e bom humor estarão sempre antes dos fios que cobriam a minha cabeça. Tive que aprender a controlar a ansiedade que foi muito difícil, uma vez que tive que abrir mão da minha rotina muito agitada e mesmo diante das dificuldades causadas pela doença, nunca senti raiva da realidade e fiquei me perguntando ‘por que comigo?’, pois isso com certeza veio para acrescentar algo na minha vida, algo a ser descoberto”, afirma.

Para Mourize, o otimismo é a chave de tudo e faz muita diferença. Ela relata que não é bom gerar muitos pensamentos negativos e preocupações desnecessárias, os quais são deixados de lado com a presença da positividade. Em meio a constante busca desse otimismo, ela afirma que ter pensamento positivo auxilia na imunidade e sem ele, o caminho para a cura se torna muito mais complicado.

 

APOIO QUE CURA – “O tratamento de câncer é bem devastador fisicamente e mentalmente, no meu caso foi um pouco mais fácil, porque minha família é numerosa, nunca deixaram de me apoiar e de estar comigo o tempo todo. Por sermos em bastante, isso ajuda muito, e não contei só com eles – o apoio foi oito vezes maior, além do Ademar e das meninas, minha mãe, minha sobrinha Rafaela e a Coca (minha empregada há 19 anos) vieram morar comigo, pois em razão do isolamento, essa era a única opção para estarmos em constante contato”, relata ao reforçar a importância em poder contar com as pessoas queridas.

Mourize comenta que também sentiu medo. Chorou escondida, mas jamais desistiu de lutar. Lutar por ela, pela família e pelos amigos. Por conta do isolamento, todos ficaram juntos em casa. Ela afirma que conviver 24 horas por dia com as pessoas amadas tem auxiliado muito na caminhada, pois assim recebe força, coragem e amor.

 

FORÇA PARA A BATALHA – “Mulher, nunca se deixe em segundo plano. Nós queremos abraçar o mundo, mas nos esquecemos de que sem saúde não conseguimos cuidar de quem amamos. Façam o autoexame, façam mamografia e ultrassom, porque o câncer mata e se detectado no começo, a cura é muito mais fácil. Para as que estão em tratamento ou receberam a notícia, quero dizer que a fase é complicada, mas não é impossível. Ampare-se no amor dos filhos e da família, eles são a razão para não desistirmos. Se apoie em quem te ama e tenha fé, pois logo tudo passará”, é a mensagem desse guerreira para as mulheres.