Pandemia: os reflexos da Covid-19 na saúde bucal

Desde o início da pandemia, o sorriso tem ficado escondido atrás da máscara. A saúde bucal também sentiu o impacto trazido pela Covid-19. Tem aumentado significativamente o número de pessoas com algum tipo de problema que requer ajuda de um profissional da odontologia. Essa elevação de casos também está relacionada com questões emocionais e alimentação inadequada intensificada desde meados de março.

Neste período de diversas mudanças mais pessoas passaram a sentir dores na faca, bruxismo (que é o ranger de dentes e apertamento dental) e fraturas nos dentes. “A atual situação tem aumentado a tensão e a ansiedade das pessoas, culminando nesses sintomas”, cita a clínica geral e prótese, dentista Maria da Graça Kaefer. “São problemas da clínica diária, mas percebeu-se um aumento nesse período de pandemia”.

Com as restrições e indicações para a realização apenas de atendimentos de urgência e emergência, os atendimentos odontológicos também tiveram que passar por uma fase de retomada. Isso envolveu a capacidade de adaptação os profissionais e da confiança dos pacientes, principalmente, do grupo de risco.

NOVO NORMAL – A nova rotina passou a exigir triagem mais detalhada, pacientes marcados com hora exata para evitar aglomeração na sala de espera – pois de um atendimento para outro é preciso fazer a desinfecção cuidadosa do ambiente, ação que já acontecia antes, mas foi intensificada neste período, bem como a higienização das mãos com álcool em gel, que também já era realizada. Além disso, o uso de todos os Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs) para promover a segurança dos profissionais e seus pacientes.

“Como trabalhamos com aerossóis estamos bastante suscetíveis ao vírus.

Todos os cuidados sempre empregados na rotina da clínica no que diz respeito à limpeza, foram reforçados. Novos equipamentos de proteção individual e medidas para evitar aglomerações foram tomadas, a fim de atender as necessidades dos pacientes com segurança”, destaca Maria.

A profissional reforça que a humanidade vive um momento singular, em que é preciso priorizar a saúde e a segurança da equipe clínica e dos pacientes, onde a empatia e o respeito com o próximo devem ser ressaltados. “Certamente, após o fim da pandemia, muitos cuidados adotados durante este período serão mantidos. Passamos por dificuldades, porém podemos extrair aprendizados e novos conceitos”, enfatiza.

DESAFIOS – Com os problemas já existentes, mas agora intensificados, os profissionais precisam buscar atender essa demanda de forma segura. Entre os desafios trazidos pela pandemia, segundo a mestre em odontologia, Adriana Paula da Costa Pasa, um dos principais foi o ajuste das atualizações das notas técnicas de biossegurança da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Embora a orientação da Agência seja priorizar nesta fase os procedimentos de urgência/emergência, os procedimentos eletivos continuam sendo executados também”, aponta a Adriana ao salientar que a atuação do profissional é imprescindível, especialmente, em um período em que problemas com a saúde bucal também estão relacionados às questões emocionais.

EMOCIONAL – “O bruxismo, de acordo com os profissionais da área pode ter causas multifatoriais. Ou seja, fatores emocionais contribuem para essa disfunção e, de fato, isso pode acontecer. Diante do problema emocional o corpo tende a apresentar sintomas físicos”, esclarece o psicólogo, Silvio Vailão.

O profissional destaca que o bruxismo é uma manifestação que está associada aos distúrbios e transtornos como ansiedade, tensão e depressão e podem ocorrer durante o dia ou à noite. “O momento ainda é um desafio para os profissionais da área da saúde de maneira geral. As pessoas precisam ter um olhar mais especial para a própria saúde e não esquecer que o organismo funciona de maneira integrada e uma questão emocional pode desencadear disfunções no corpo. Por isso, é preciso todos estarem em alerta e buscarem os profissionais habilitados”, alerta.

Da redação