Pequenos empreendedores da confeitaria se reinventam

Gradativamente o mercado da confeitaria, especificamente os pequenos empreendedores que não possuem loja física, tem reagido aos impactos da pandemia. Para superar o momento foi preciso realizar adaptações no modelo de negócio. Quem atua no ramo trabalha com a perspectiva de melhoras e foco a produção nas datas comemorativas que não deixaram de existir, mas que tem tomado outra formatação.

A doceira, Daniele Dias, relata que teve queda de mais de 70% nas encomendas em 2020. “Em março do ano passado, quando surgiram os primeiros casos de Covid-19, os decretos de fechamento e suspensão das atividades consideradas não essências e o cancelamento das festas, já ligou um sinal de alerta de que era preciso inovar para conseguir se permanecer no mercado e continuar tendo uma renda para pagar as contas. Contamos com as datas comemorativas que não deixam de acontecer como a Páscoa, o Natal, o Dia das Mães, por exemplo. Se nos anos anteriores a encomenda de bolo era para atender um almoço de família com 20 pessoas, agora, é para cinco”.

Na tentativa de driblar as dificuldades, Daniele passou a ter ainda mais controle do fluxo de caixa e revisou todos os custos da produção de doces e bolo. Ela conta que a primeira medida foi reduzir o mix de produtos e, por um período, ofertou apenas as opções que garantiram boa margem de lucratividade sem exigir a compra de diversos produtos para a produção do doce.

“Não tem como substituir o chocolate, por exemplo, é que a base para diversas receitas dentro da confeitaria. Ao comprar uma barra com qualidade inferior aquela já utilizada, automaticamente, isso repassa para o produto final. Se o cliente comprou o bolo, gostou do sabor e optou em comprar novamente, mas ele não encontra o mesmo sabor da massa, do recheio, da cobertura, gera um descontentamento e a tentativa de agradar e continuar no mercado pode não dar certo”, pontua Daniele ao frisar que a matéria-prima de qualidade é fundamental no preparo dos doces.

ESTRATÉGIAS DE NEGÓCIOS – Outra medida adotada pela doceira foi cuidar com mais cautela do estoque. Daniele comenta que não ficou mais com produtos estocados, especialmente os perecíveis. Além disso, buscou alternativas de pagamento com fornecedores e passou a comprar com outras colegas, pois assim conseguiram mais descontos.

“Sempre trabalhei com encomendas. Como não tenho loja física é algo inviável fazer bolos e doces sem ter a certeza de que o produto será comercializado. Nesse ramo alimentício não é possível trabalhar sem a projeção de venda, afinal, são produtos perecíveis. Além disso, tem a particularidade dos sabores, se tem algum ingrediente utilizado que não agrada, o cliente não vai mais comprar”.

CONTINUAR AS VENDAS – A confeiteira, Maria de Fátima, conta que ampliou os atendimentos na modalidade delivery após a chegada da pandemia. Ela também trabalha com encomendas de doces e bolos, antes os clientes tinham que retirar o produto, com as mudanças de logística para se manter no mercado, passou a incluir a entrega em seu serviços.

“Muitos clientes passaram a solicitar a entrega. Não era algo que eu fazia, pois isso envolve ter alguém para prestar esse serviço e de forma satisfatória, já que estamos falando de bolos de aniversário, por exemplo, que exigem muito cuidado no transporte. Tenho o desejo que viabilizar os serviços por aplicativo, mas ainda não foi possível investir nisso. Agora, que o mercado está se mostrando mais favorável e isso temos ‘altos e baixos’. Ainda contamos com as incertezas dos números de casos da doença que ainda reflete em todo o funcionamento do comércio. Enquanto as atividades não forem ampliadas, como a realização de festas de aniversário, casamentos, confraternizações, a contratação de nossos trabalhos é reduzida. O momento exige cautela e bom senso de todos para que juntos possamos vencer esse período turbulento”, finaliza.

Da Redação

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