Período de calor favorece o aparecimento de escorpiões

Eles têm o hábito de permanecer escondidos, salvo regra, para buscar alimentos e na fase reprodutiva. Normalmente são encontrados em locais escuros onde possuem abrigo e possíveis presas para alimentação. Locais como galerias e construções abandonadas, com lixo e entulho, frestas de tábuas, tijolos e lajotas empilhadas são perfeitos para os escorpiões.

Com a mudança no meio em que vivem, como reformas, pulverização de inseticidas (dedetização) e remoção dos materiais de abrigo, eles são forçados a migrar ou buscar abrigo e alimento em outro espaço. Sem dedetização capaz de eliminar totalmente estes animais, os escorpiões acabam sendo uma ameaça para a saúde pública.

Neste período, o médico veterinário e chefe da Divisão de Vigilância em Saúde, da 20ª Regional de Saúde de Toledo (RS), Felipe Hofstaetter Zanini, comenta que os dias mais quentes favorecem o aparecimento de escorpiões, devido a busca de alimento e o período de reprodução de algumas espécies. “Por isso, estes animais acabam sendo visto com mais frequência entre novembro até março. Naturalmente coincide com um maior número de ocorrência de acidentes do tipo”.

Ele explica que a Vigilância em Saúde realiza um trabalho continuado de captura e avaliação destes animais, observando comportamento e as variedades de espécies que são encontradas nas regiões dos municípios da Regional. “A ação tem objetivo de organizar e prevenir ações de controle de animais e atendimento médico imediato em situações de acidente”, complementa.

NOTIFICAÇÕES – Neste ano, foram capturados 231 escorpiões até a última quinta-feira (25) no território da 20ª RS, sendo dois em Toledo da espécie Bothriurus araguayae, animal inofensivo que não oferece perigo e não possui importância médica.

Também foi identificada a espécie Tityus trivittatus nos municípios de Guaíra, Maripá, Mercedes e São José das Palmeiras. “Essa espécie possui menor importância médica. Apesar de dor e desconforto, os acidentes não têm graves complicações”.

De acordo com Zanini, o maior número de ocorrências registradas na Regional e que acende o sinal de alerta é para a espécie Tityus serrulatus (Escorpião Amarelo). Foram 153 animais capturados em Assis Chateaubriand, 41 em Palotina, dois em Tupãssi, dois em Terra Roxa e um em Maripá. “Esta espécie é considerada a mais venenosa presente na América do Sul. É o escorpião causador de acidentes graves e que pode levar ao óbito”.

ACIDENTES – No âmbito da 20ª RS também foram registrados 49 acidentes por escorpião neste ano, sendo a maior parte em Guaíra (24) e em Assis Chateaubriand (18). As principais espécies identificadas foram Bothriurus araguayae, Tityus trivittatus e Tityus serrulatus que é de grande importância médica e de saúde pública, pois pode ocasionar acidentes graves e levar a óbito.

“Em caso de acidentes é importante a tentativa da captura do animal causador, assim como em outras situações de acidentes com animais peçonhentos. A identificação deste animal causador tem papel importante na decisão médica e escolha do tratamento”, explica o profissional.

PREVENÇÃO – Para evitar o aparecimento destes animais é importante fazer a remoção mecânica e limpeza dos locais que servem de abrigos para os escorpiões, forçando o animal sair do esconderijo para que se possa ser eliminado. “Os entulho removidos destes locais, recomenda-se que sejam enterrados em local isolado, para que não haja sobreviventes que populem novos locais”, conclui Zanini.

Da redação