Por trás dos panos: a precisão no processo da fiação

O maior fornecedor de algodão é o estado do Mato Grosso. Desde a escolha da variedade a ser plantada, a atenção no manejo e a colheita precisam acontecer com cuidado para que a matéria-prima chegue conservada ao destino. A aquisição acontece com um ano de antecedência, quando são firmados os contratos de compra e venda que atendem critérios técnicos pré-estabelecidos.

“Antes de a matéria-prima chegar às instalações da indústria, são realizados testes de características físicas com a utilização de equipamentos para esses fins e de análises visuais. Esse processo é executado por um classificador de algodão, colaborador da empresa”, explica o gerente de logística e suprimentos da Fiasul Indústria de Fios Ltda, Franco Manfroi.

Cabe ao Controle de Qualidade da indústria avaliar esses testes físicos e análises visuais. Somete diante de um parecer de aprovação é autorizado o embarque desse material para a empresa. Toda essa criteriosidade é fundamental para atender os padrões de qualidade do produto final.

“O processo de fiação consiste em quatro pontos principais: limpeza, mistura, estiragem e torção. No entanto, exige-se um grande esforço e conhecimento técnico para ajustar cada etapa do processo, pois, por mais que haja uma controle rígido na seleção da matéria-prima, é preciso lembrar que é uma fibra natural. Dessa forma, o controle de cada etapa do processo é essencial para que o cliente seja surpreendido, de forma positiva, em cada bobina de fio recebida”, esclarece Manfroi.

FIO A FIO – O primeiro passo a ser seguido na fiação penteada é fazer a melhor mistura possível dos fardos de algodão, ao levar em consideração a classificação visual e os testes realizados antes da compra. O processo seguinte, de abertura das fibras consiste em captar, limpar, abrir e misturar o algodão e isso acontece de maneira mecanizada.

O gerente de logística e suprimentos explica que na etapa de cardagem, o material passa por mais um processo de limpeza, abertura e paralisação das fibras. “Dando continuidade ao trabalho, na próxima etapa, de primeira passagem, ocorre a mistura, estiragem e paralelização das fibras. Ao deixar o setor de primeira passagem, o material é encaminhado ao segmento de reunideiras que fará mais uma mistura e troca de embalagem, sendo uma preparação para a etapa seguinte: a penteagem que objetiva retirar as fibras mais curtas, além de realizar outra mistura e mais uma estiragem”.

Ao ser concluída a etapa de penteagem, o material passa pela segunda passagem, que tem o mesmo objetivo da primeira. Depois dessa fase, o produto é conduzido para a as maçaroqueiras, para acontecer mais uma estiragem e a primeira torção do material. Com a finalização dessa etapa, conclui-se o processo de preparação da fibra, para então ser encaminhada para fiação, setor onde, efetivamente, o fio é produzido, através da estiragem e torção das fibras.

Na etapa de finalização do processo, o fio passa pelas conicaleiras, onde será disposto em forma de cone e os possíveis defeitos encontrados serão removidos. Depois disso, as bobinas são colocadas em uma sala de saturação para estabilizar as fibras, antes de serem embalados e embarcados para os clientes.

OPEN END – “Já o processo de fabricação open end é mais enxuto, sendo composto pelas etapas de mistura, abertura, cardagem e primeira passagem, assim como no penteado. Depois dessas etapas, o material é encaminhado para os filatórios a rotor, onde o fio é produzido e disposto em forma de bobina.

Também há necessidade de passar pela etapa de saturação antes de serem embalados. Devido as diferenças nos processos, o fio penteado tem um maior valor agregado do que o open end, tendo cada um seu mercado específico e bem disputado”, conclui Manfroi.

DOS CAMPOS DE ALGODÃO PARA A FIAÇÃO

Com apenas 13 anos de idade, em meio aos campos de algodão do interior do município de Ouro Verde do Oeste, aquela menina não imaginava que aqueles ‘macios flocos brancos’ fariam parte de sua vida. Seu destino já estava traçado e ela seguiu em frente. “Eu ajudava na colheita. Naquela época jamais contava que essa matéria-prima era tão rica, valorosa e produtiva”, recorda a supervisora do Controle de Qualidade, Eliane Luiza Pinheiro. “Faz 18 anos que trabalho na indústria. Para quem colheu algodão na infância e, hoje, consegue atuar na certificação de qualidade desse produto, é muito gratificação ver essa evolução. A cadeia têxtil é ampla. No produto final, aquele que aquece, que veste, que adorna, faz toda diferença quando a fiação, que é a base, é pura qualidade”.

MALHARIA EM FOCO                              

O futuro precisa ser pensado hoje. A instabilidade do mercado não alterou os planos de expansão da indústria de fiação. “Para 2020, temos o investimento de uma máquina que deve aumentar a produção em 100 toneladas/mês. Ainda temos um projeto piloto que coloca em funcionamento o tear, com isso, passaremos a produzir peças prontas de malharia, uma demanda do nosso mercado consumidor. Isso é fruto de planejamento, buscamos acompanhar as tendências”, enfatiza o gerente industrial, Raullen Rodolfo Lima de Oliveira.

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