Prevenção e promoção em Saúde do Homem em foco neste mês

Uma atenção especial voltada para prevenção e a promoção em saúde do homem. Esse é o foco das ações dos órgãos de Saúde durante esse mês que é conhecido como Agosto Azul. A proposta tem como objetivo demonstrar que muitos problemas podem ser evitados com a procura pelos serviços precocemente.

O tema foi abordado em uma live realizada pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) realizada na última segunda-feira (2), e que marcou o início das atividades da campanha em todo o Paraná. Com o tema “Homem, torne a sua vida melhor! Cuide da sua Saúde”, a maior parte da programação deste ano será desenvolvida em canais virtuais.

De acordo com o chefe da 20ª Regional de Saúde de Toledo Alberi Locatelli, os programas foram prejudicados no período da pandemia, principalmente, em seu começo. “Tudo que demandava na participação das pessoas, como as orientações, foram ‘seguradas'”.

Para Locatelli, a Saúde do Homem envolve todas as doenças pertinentes para ele e ao visualizar a diminuição nos dados epidemiológicos da Covid-19, a abordagem com os Municípios será retomada. “Nós queremos acompanhar e regrar esse homem. Nós devemos detectar a doença, mas principalmente, realizar um tratamento preventivo, antes deste paciente necessitar de um leito hospitalar”.

A diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes ressalta que o homem deve ser visto pelos profissionais como a pessoa que precisa de cuidados além dos relatados ao procurar o serviço de saúde. “O homem é mais difícil de procurar o serviço de Saúde. Como trabalhar para trazer esse homem? Temos que ter boas ideias. Nós estamos avançando na perspectiva de prevenção e avanço da doença quando identificados precocemente”.

A representante do Ministério da Saúde Mônica Macau afirma que a pauta é desafiadora e a necessidade de pensar estratégia é fundamental. “O homem aumenta número de leitos e mortes, porque lhes faltam chegar na Atenção Primária”, alerta Mônica.

DADOS – O Agosto Azul, campanha de incentivo ao cuidado com a saúde do homem, foi instituída no Paraná pela Lei nº 17.099/2012. A chefe da Divisão de Prevenção e Controle de Doenças Crônicas e Tabagismo da Sesa, Rejane Cristina Teixeira Tabuti, enfatiza que o câncer está entre as quatro principais causas de morte prematura (30 a 69 anos) em todo o mundo. “A incidência e a mortalidade por câncer vêm aumentando no mundo”.

Entre a população masculina do Paraná estima-se 18.710 novos casos a cada ano, de 2020 a 2022; com 3.560 casos de câncer de próstata, 1.250 casos de câncer de colón e reto, 1.180 de traqueia, brônquios e pulmão, 900 de estômago e 720 de esôfago.

Dados sobre a proporção de óbitos no sexo masculino no Estado apontam também como causas da morte as doenças infecciosas e parasitárias e doenças dos aparelhos circulatório e respiratório, obesidade além de causas externas, como violências e acidentes.

Entre os casos de Covid-19 registrados até o momento no Paraná, o sexo masculino corresponde a 53%. Nos óbitos pela doença corresponde a 42%. “A obesidade é uma condição crônica multifatorial de alta prevalência, fator de risco para diversas Doenças Crônicas Não-Transmissíveis (DCNT) e tem sido relacionadas como condição de risco para complicações e morte por Covid-19”, explica Rejane.

Apesar desse cenário, ainda permanecem os desafios para o reconhecimento e o adequado tratamento de pessoas com excesso de peso nos serviços de Saúde, especialmente, os homens. Dados do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (Sisab) apontaram que, de todos os atendimentos individuais de adultos na APS em 2020, apenas 20,8% foram do sexo masculino e, destes, somente 1,3% tiveram como condição avaliada a obesidade. “Por ser um fator de risco para a Covid-19, a obesidade é uma condição que deve ser avaliada”, complementa.

PANDEMIA – Em relação aos dados de 2021, Rejane Cristina Teixeira Tabuti cita que as informações ainda são preliminares porque a pandemia da Covid-19 alterou um pouco o cenário dos atendimentos na Atenção Primária. “Muitas pessoas deixaram de procurar por atendimento por ocasião da pandemia. É preciso nestes momentos que seja ofertado tudo que está em atraso; sejam vacinas ou atendimentos preventivos, consulta de enfermagem, valorizar as queixas do usuário e investigar os sinais suspeitos de câncer. As estimativas são alarmantes pelo impacto da pandemia, mas as pessoas aos poucos estão voltando”, complementa.

A Atenção Primária à Saúde (APS) no Paraná tem cadastrados entre janeiro a julho deste ano, 4.275.378 homens e realizou neste período 1.017.075 atendimentos. “Entre os cadastrados, o número representa 23,8%. É um percentual mais abaixo que os outros estados da região Sul”, salienta Rejane.

VIOLÊNCIA – Foram apresentados ainda os dados referentes a óbitos por violência no Paraná. Em 2020, foram registrados 1.920 óbitos por homicídio (homens e mulheres) e 943 óbitos por suicídio (homens e mulheres). 79% dos óbitos por causas externas ocorreram em homens. 79,3% dos óbitos por suicídio foram de pessoas com idades entre 29 e 49 anos; 89,7% dos casos de homicídio foram de pessoas de 20 a 39 anos.

83% dos óbitos por Acidentes de Transporte Terrestre (ATT) foram de homens; 32% dos óbitos masculinos por ATT eram motociclistas; 30% dos óbitos masculinos por ATT era ocupantes de automóvel; 75% dos óbitos masculinos por ATT tinham entre 20 e 59 anos de idade.

Da Redação / TOLEDO