Projetos do Conselho da Comunidade levam conhecimento e acolhimento às detentas

Atender as necessidades das mulheres privadas da liberdade e possibilitar que elas encontrem novos caminhos são alguns dos objetivos dos trabalhos desenvolvidos pelo Conselho da Comunidade de Toledo. Os projetos Recomeçar e Mãos que Criam levam conhecimento e acolhimento às detentas da Cadeia Municipal.

As atividades dos projetos acontecem de forma gradativa com trabalhos semanais. Uma das assistentes sociais do Conselho da Comunidade Maria Aparecida Soares dos Santos explica que as atividades envolvem as mulheres, trazem conhecimento e ocupa o tempo com trabalhos que resultam em produtos. Além de Maria, o Conselho conta com a assistente social Raissa Belle que também coordena os trabalhos dos projetos. Além disso, elas fazem o acompanhamento dos casos de saúde e atendimento familiar.

A participação é livre, ou seja, nenhuma delas é obrigada a realizar as atividades propostas. Sempre buscamos promover ações que gerem interesse e atendam as necessidades dessas mulheres, assim que notamos a falta de interesse por determinado assunto, revemos o cronograma e adotamos outras estratégias, destaca Maria.

A assistente social comenta que os trabalhos de artesanato, por exemplo, gerem redução de pena para as condenadas. A cada três dias de trabalho é reduzido um na sentença. Ela pontua que ao analisar todas as oficinas e atividades propostas pelos projetos ofertadas pelo Conselho, a média de adesão das presas é de aproximadamente 95%.

Com esse trabalho desenvolvido junto às detentas, o Conselho consegue levar até elas oportunidades. Acreditamos que nossos objetivos estão sendo atingidos, pois, com o tempo também passamos a contar com o apoio da comunidade. Diversas empresas nos procuram para que, por meio, dos projetos sejam confeccionados produtos que podem ser entregues como lembranças as colaboradores, por exemplo. Ainda temos muito o que avançar, mas devagar isso está acontecendo e vamos desmitificando a cultura de que essas mulheres privadas de liberdade apenas ‘comem a custas da população’, mas que elas podem produzir, dar retorno e terem a chance de reinserção na sociedade, enfatiza.

PROJETOS – A base das atividades do Conselho da Comunidade é o projeto Recomeçar – promovido em parceria com a Prati-Donaduzzi. Maria explica que ele contempla um cronograma de atividades que envolvem oficinas, palestras, entre outras ações.

Já o projeto Mãos que Criam é divido em diversos grupos. Cada um produz materiais diferenciados como trabalhos em crochê, arte em vidros, pedraria, entre outros. Temos entre dez a 12 produtos feitos pelas mãos das detentas. Esses artigos são comercializados em feiras de artesanato, ou feitos por pedido pelas empresas parceiras. Os recursos arrecadados retornam para o projeto através da compra de materiais, evidencia a profissional.

ATUAÇÃO – O Conselho da Comunidade atua no município de Toledo desde 2005. Ele é formado por membros da sociedade indicados por suas entidades, entre elas estão: Lions, Rotarys, igrejas evangélicas e católica, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Associação Comercial e Empresarial de Toledo (Acit), Lojas Maçônicas, Câmara da Mulher, Associação Santa Rita de Cássia, polícias Militar e Civil, Departamento Penitenciário Estadual do Paraná (Depen), Consórcio Intermunicipal de Saúde Costa Oeste do Paraná (Ciscopar) entre outras.

A função do Conselho é fiscalizar o cumprimento de pena em regime fechado. Além disso, ele auxilia o poder judiciário e atua diretamente com as pessoas restritas de liberdade.

Devido sua exemplar atuação, atualmente, o Conselho da Comunidade de Toledo é referência no Paraná. Constantemente, órgãos de outras comarcas visitam o município para acompanhar o trabalho realizado e compartilhar as experiências que estão dando certo.

Uma das lutas do Conselho é o funcionamento da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac). Desde 2012, os conselheiros trabalham para que a iniciativa se concretize. A estrutura está sendo construída no Jardim Anápolis, em um terreno próximo a BR-163. A projeção é que a obra seja finaliza ainda este ano.

A ideia é que inicialmente sejam inseridos 40 presidiários, mas a proposta é com o tempo aumentar este número. Os recuperandos serão escolhidos de acordo com os critérios determinados pelo poder judiciário. Eles são submetidos a um sistema disciplinar rigoroso, mas que resulta em uma nova vida.

A valorização humana e o trabalho são a base do método de recuperação. Os internos participam de uma formação educacional e também de atividades terapêuticas. Na Apac, as celas são consideradas dormitórios. O preso é considerado um recuperando e as chaves ficam em poder deles.

Da redação