Queda do endividamento: cautela é o caminho para sair do vermelho

Cartão de crédito, prestação da casa, parcela do carro, cheque especial, empréstimo pessoal, crédito consignado, carnê de loja, basta perder o controle de alguns deles para deixar as contas no vermelho. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) – referente ao mês de outubro – apontam que 66,5% das famílias brasileiras possuem dívidas, contudo, foi o segundo mês consecutivo de queda no comparativo anual.

“Ainda é cedo para traçarmos análises mais amplas e precisas”, comenta a economista, Kelen Camargo. “Dezembro marca o fechamento de 2020, mas não o da pandemia e seus reflexos. Se estamos no segundo mês consecutivo de queda em relação às famílias endividadas, parte disso, está relacionada ao auxilio emergencial que permitiu auxiliar no sustento”.

A profissional declara que o cenário é incerto, principalmente, em relação à capacidade de recuperação do mercado de trabalho – mesmo diante de um mês favorável – e no cumprimento das metas fiscais. Ela também alerta que é preciso levar em consideração o elevado número de consumidores endividados e o fato de parte do crédito dispensado durante este período de pandemia foi concedido com carência nos pagamentos.

QUEDA – A pesquisa aponta que o endividamento teve queda, novamente, entre as famílias de menor renda. Em contrapartida, teve aumentou nos lares de maior renda. No que se refere à inadimplência, também apresentou a segunda redução consecutiva neste ano.

O ENDIVIDAMENTO – A participação do cartão de crédito no endividamento diminui de 79% para 78,5% nas famílias endividadas em outubro. A proporção observada em outubro é superior à média para o indicador em 2020, 77,9%. Dentre as modalidades mais utilizadas, na sequência estão carnês para 16,4% dos consumidores; e financiamento de veículos para 10,7% – ambas modalidades associadas ao consumo de médio e longo prazos. Em outubro, tiveram aumento de participação no endividamento o cheque especial, cheque pré-datado e as duas modalidades de financiamento (carro e casa).

SEM FICAR NO VERMELHO – “É importante ter organização financeira para evitar que a situação tome outras proporções, ou seja, buscar alternativas para quitar as dívidas por meio dos processos de negociações. Entramos no período mais festivo do ano. Claro que 2020 está diferente e, talvez, o valor que seria gasto com festividades terá outro destinação, contudo, é preciso cautela”, enfatiza.

Kelen cita que é preciso planejamento, criatividade e foco. Ela pontua que o natal é sempre na mesma época do ano e quando a pessoa mantém as contas em dia até este período fica mais fácil planejar. Decidir quem irá receber presentes, estipular uma média de valor a ser gasto e se manter dentro do orçamento ajudam a evitar começar janeiro no vermelho.

“Se a família passou o ano inteiro sem conseguir economizar não existe uma fórmula mágica, nem mesmo um milagre de natal, para que isso aconteça no fim do ano”, brinca. “A dica sempre é avaliar o que pode ser cortado, mesmo em um ano com muitos cortes e isso pode envolver tarefas simples do cotidiano. Qualquer ação que resulta em economia contribui para o resultado final do orçamento”, conclui.

Da Redação com informações do sistema CNC