Retorno das aulas exige adaptação e diálogo com os alunos


A psicopedagoga Veralice Moreira enfatiza que os pais precisam explicar as mudanças para os filhos – Foto: Divulgação

O retorno às aulas presenciais em um período de pandemia pode vir com sentimentos de medo, insegurança, dificuldades de interação e de aprendizagem. Por mais ansiosas que as crianças estão para esse retorno, enfrentar um inimigo invisível não será uma tarefa fácil. A escola já não é mais a mesma e a interação com professores e os colegas deve ser a distância.

Mesmo com os protocolos e regras de distanciamento, pais e professores podem auxiliar as crianças na readaptação ao ambiente escolar.

A psicopedagoga Veralice Moreira enfatiza que, mesmo diferente neste momento, a escola continua sendo um lugar onde as crianças encontram com amigos para as vivências/experiências de aprendizagem e com o carinho especial dos professores. “Por isso, o retorno para as aulas nas escolas é uma realização da criança e adolescência; mais ainda, neste momento que o retorno as aulas acontece após longo período de confinamento”.

A profissional explica que os medos, a insegurança e a ansiedade dependem muito de como as famílias orientaram e fortaleceram os filhos para enfrentarem esse momento; depende ainda das perdas que cada grupo familiar vivenciou. Porém, é nas aulas que ocorrem as descobertas, interações, conquistas de amigos, aprendizagens, preparo para a vida adulta.

“Por esse motivo, é que neste momento, com a volta às aulas, se misturam aos sentimentos de felicidade, de ansiedade, de medo e de satisfação e muitos pais e professores precisam de apoio para superar as fragilidades pessoais e garantir aos filhos e estudantes o olhar, a fala adequada, o ensino-aprendizagem mais lúdico e seguro”, complementa Veralice.

DIÁLOGO – Os novos protocolos sanitários impedem muitas atividades simples no ambiente escolar como abraçar professores e colegas, brincadeiras com contato físico, compartilhar objetos e lanches, além de restringir várias atividades do cotidiano escolar.

Explicar essas mudanças para as crianças é parte essencial para garantir um retorno mais tranquilo e saudável para os alunos. A psicopedagoga lembra que os estudantes se adaptam facilmente às mudanças e enfatiza que os pais devem dedicar tempo para falas esclarecedoras e não assustadoras.

“Ao olhar para as crianças e de modo claro, direto, precisamos orientar as vivencias, as certezas e os encaminhamentos que toda pandemia exige. Se explicarmos que neste momento elas não podem abraçar as professoras, os coleguinhas ou os avós, elas irão compreender. Precisam ouvir das pessoas que amam, que não podem compartilhar objetos, garrafinhas, lanches e material escolar. Elas irão entender”, pontua.

ON-LINE – Com o surgimento da pandemia da Covid-19, professores e alunos tiveram impactos no calendário escolar. O distanciamento do ambiente escolar foi um dos desafios desses quase 12 meses. Pais e professores reinventaram formas de ensinar e aprenderam novas vivencias com aulas on-line, videoaulas, plataformas e outras ferramentas de ensino. Veralice cita que ambos se viram diante de novos desafios, aos quais não estavam preparados.

Com o retorno, ainda que gradativo, agora os pais precisam escolher entre continuar com o ensino on-line ou presencial. Explicar para a criança a decisão da família também não é uma tarefa fácil.

A psicopedagoga esclarece que a pandemia acarretou mudanças na concepção educativa. Alguns estudantes não querem mais voltar para a escola e, assim, surgiu novo nicho de trabalho para o professor, pois muitos pais tomaram a decisão de manter os filhos matriculados nas instituições somente com as aulas on-line acompanhados por professores particulares. Outras famílias resolveram tirar os filhos da escola e mantê-los no ensino domiciliar situação ainda inconstitucional.

“Entendemos que a família é a base principal da criança porque fornece proteção, amor, conhecimentos e valores. Dessa forma, é a primeira instituição que estabelece o contanto de interação do indivíduo com o meio social através das relações, experiências familiares que são responsáveis para a formação do caráter dentro do âmbito familiar, escolar e social, pois é na família a primeira escola da criança. No entanto, o professor e a escola são responsáveis para dar continuidade as aprendizagens e ensinar o conhecimento científico, a vivencia social, grupal e de vida”, enfatiza a profissional.

ADAPTAÇÃO – O ano de 2020 foi difícil para todos os alunos. Desde os menores que iniciaram o processo de alfabetização até os que preparavam o TCC. O ano letivo de 2021 inicia com a esperança de um novo cenário. Porém, nessa retomada muitos alunos irão precisar ser acompanhados de perto, vão precisar de auxílio e reforços. Veralice lembra que muitos pais não têm formação e nem disponibilidade de tempo.

É nesse momento que eles podem contar com profissionais da pedagogia, da psicopedagogia, da musicoterapia, arteterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia ou, em certos casos, até mesmo o psicólogo quando os sofrimentos da pandemia já acarretaram sintomas como ansiedade, medo, entre outros comportamentos.

“Toda pandemia gera desafios profundos com consequências em média de oito a dez anos. Neste momento, além das perdas da referência do contexto educacional, do contexto de ensino-aprendizagem, há também a descentração do contexto, das rotinas das aprendizagens, dos compromissos escolares. Mas a pandemia trouxe também pequenos ganhos pois muitos alunos com déficit de atenção ou altas habilidades apresentaram melhores resultados com o ensino on-line, que veio para ficar. Cabe a sociedade se reorganizar com esta nova demanda”, conclui.

Da Redação

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