Desde 1996 os paranaenses se acostumaram a receber notícias sobre um tal de pedágio, algo que poucos haviam ouvido passou a ser motivo de esperança, que logo se transformou em reclamação, denúncias, ações judiciais, enfim, uma infinidade de sentimentos e fatos difíceis de serem absorvidos por quem não consegue compreender como uma verdadeira armadilha pôde ser deixada para gerações inteiras por quem, em teoria, deveria se preocupar em buscar alternativas para o melhor à sociedade e não criar mecanismos de exploração tão descabidos quanto esse chamado pedágio.

Foram longos 25 anos que terminam neste sábado (27). Terminam, porém, não acabam. Um novo contrato será feito pelos próximos 25, 30 anos, enfim, porém respeitando algumas vontades expressadas durante a discussão em meio à guerra de informações travada entre concessionárias e agentes políticos. Não há vencedores nesta guerra, apenas derrotados que durante duas décadas e meia deixaram ‘zilhões’ de reais nas praças de pedágios que se amontoaram nas estradas paranaenses.

E serão muito mais a partir de 2022, quando deverá entrar em vigor o novo contrato, só não concluído mais cedo pela conveniência eleitoreira ou sabe-se lá por qual motivo. Não se trata de um alívio, até porque, embora haja uma real preocupação sobre a manutenção das rodovias, os próximos dias deverão ser de ajustes. Nos próximos meses haverá a necessidade de se reavaliar não apenas quem, mas como os serviços estão sendo oferecidos aos usuários que não podem ser penalizados pela absoluta falta de capacidade da administração pública elaborar um novo contrato em tempo hábil.

Em geral a herança deixada pelo pedágio é de memórias ruins. As obras – em sua imensa maioria superfaturadas – poderiam já ter sido concluídas há muitos anos. Os eventuais benefícios não aconteceram por acaso: foram pagos centavo a centavo por usuários que pagaram uma tarifa desproporcional aos serviços oferecidos e muito acima da estrutura ou da qualidade de estradas velhas, ultrapassadas e inseguras.

Se existe algo de bom em toda essa história? Sim, e a principal é a certeza que o Estado do Paraná não pode mais se curvar a contratos tão nocivos quanto este criado por mentes medonhas, doentias até e que se fartaram ao custo de tantos paranaenses.