Briga pelo poder em uma Londres violenta

Logo no primeiro episódio, dá para perceber que Gangs of London não está para brincadeira. Há uma briga de bar que quer ser a definitiva, e a luta com um açougueiro (usado aqui de maneira figurativa) que é tão absurda quanto divertida. Tudo fica mais claro ao descobrir que o criador da série, cujos nove primeiros episódios passam a partir deste domingo na plataforma de streaming Starzplay, é o galês Gareth Evans, diretor de Operação Invasão.

Em ambas as cenas, o protagonista é Elliot (Sope Dirisu), um sujeito misterioso que está tentando ascender na principal família do crime em Londres, os Wallace. Para Dirisu, fazer essas sequências de luta elaboradas foi aliar duas de suas paixões. “Eu fiz muito esporte: rugby, futebol americano, karatê e judô. Sempre amei usar meu corpo”, disse o ator inglês de 29 anos.

Várias das sequências terminam em sangue, muito sangue. “A violência, para Gareth, é parte integrante da narrativa”, disse Dirisu. “Não acho que seja gratuita. É uma representação honesta. A ideia é levar o espectador para dentro da briga, em vez de assistir de fora. Mas para mim a série é muito mais do que a violência, é sobre os relacionamentos entre os personagens e as diferenças de geração nas famílias e grupos de amigos. Então temos cenas de luta excelentes e estamos orgulhosos, mas não é só isso.”

Elliot, sejam quais forem seus motivos, está se metendo numa verdadeira guerra. Os Wallace acabaram de perder seu patriarca num assassinato brutal e tentam se manter no topo, enquanto grupos rivais – a máfia albanesa, os curdos lutando pela independência de seu país, o cartel paquistanês – buscam tomar sua posição, até porque o herdeiro, Sean (Joe Cole), só quer saber de vingança. É uma verdadeira Torre de Babel, como Londres é mesmo na realidade. “Esse é uma das maiores satisfações de trabalhar na série”, disse Dirisu. “Gareth mesmo disse que, andando numa rua da cidade, você ouve dezenas de línguas diferentes. Então retratar a natureza cosmopolita de Londres não era só verdadeiro e honesto, mas algo primordial na nossa série.

E fica muito mais interessante do que ter gângsteres brancos apenas.” Para ele, diversificar os contadores de história na frente e atrás das câmeras é motivo de felicidade. “Compartilhar cultura e experiência com pessoas que não se parecem conosco é uma das maneiras de aprender mais sobre o mundo.”

São quase todos imigrantes que tiveram na criminalidade uma saída para a pobreza e o preconceito. Há uma fala de Ed Dumani (Lucian Msamati), fiel escudeiro do agora morto Finn Wallace (Colm Meaney), sobre como eles se uniram no preconceito que sofriam, o primeiro por ser um imigrante e negro, o segundo, por ser imigrante irlandês. “As portas estavam fechadas, eles não tinham oportunidades, então fizeram coisas horríveis para sobreviver”, afirmou Dirisu, filho de nigerianos.

Dirisu tem razão ao dizer que, em meio às lutas e tiroteios, há muitas cenas dramáticas entre os personagens e conflitos entre pais e filhos, principalmente. Elliot, por exemplo, precisa cuidar de seu pai, um ex-boxeador que ficou com os movimentos comprometidos, e tenta evitar ter o mesmo fim que ele. Sean está tentando se provar para seu pai, que não está mais lá. Filho do chefão da heroína Asif Afrid (Asif Raza Mir), Nasir Afridi (Parth Thakerar) quer deixar os negócios da família de lado e se tornar o novo prefeito de Londres.

Gangs of London tem violência, briga pelo poder, personagens com problemas com os pais – e Michelle Fairley, mais conhecida como Catelyn Stark, no papel da viúva rde Finn Wallace. Não por acaso, a série, que já teve sua segunda temporada confirmada, está sendo comparada a Game of Thrones, só que numa cidade cosmopolita, com seus personagens usando ternos bem cortados. “Eu consigo entender por que as pessoas ligam as duas”, disse Dirisu. “São famílias ou casais brigando pelo poder e exploramos cada uma delas e de seus membros. Há diferenças grandes também, como o tipo de armas. Mas quem vai reclamar de ser comparado com uma série de tanto sucesso? Espero que possamos ter o mesmo destino.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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