Edição comemorativa do SPFW chega aos 25 anos marcada por mudanças

Em um ano marcado por transformações profundas na forma como vivemos e nos relacionamos em sociedade, o São Paulo Fashion Week, maior evento de moda do Brasil, completa 25 anos de existência. Diante da impossibilidade da realização de um grande evento físico que reunisse profissionais do mercado de todo o País, a semana de moda brasileira ocorreu de forma 100% digital. “O SPFW sempre foi pensado como uma plataforma de criatividade a longo prazo. Desde o início eu entendia e falava em entrevistas que precisaríamos fazer uma transformação de hábitos, de conhecimento e de costumes com o passar dos anos. O SPFW sempre teve essa diretriz de adaptação aos tempos”, conta Paulo Borges, criador e diretor do evento.

Borges vê a própria criação de uma semana de moda em São Paulo, em meados dos anos 1990, como uma grande transformação do mercado. Em um País com importante história têxtil, organizar as apresentações de marcas ao redor de um calendário próprio trouxe mudanças na forma com que a indústria se organizava na época. Desde então, a inovação faz parte do DNA do SPFW e sua história é marcada pela adaptação. Em 2001 o evento foi pioneiro na transmissão de desfiles pela internet, para que estes pudessem ter abrangência nacional. Agora ele ocorre de forma 100% digital pela primeira vez desde que foi criado.

A semana de moda que termina neste domingo (8) teve seu início na quarta-feira (4) com uma programação de marcas que apresentaram as novas coleções com projetos audiovisuais próprios, que expressam a visão criativa de cada uma delas. “O modelo do SPFW é como uma casa, em nossa história construímos as salas de desfiles, o espaço de imprensa e locais de exposição, uma infraestrutura que ajuda a impulsionar os diversos negócios dentro do mercado da moda. Para esta temporada, sabíamos que não poderíamos aglomerar pessoas, portanto, chegamos à este formato”, diz Paulo Borges sobre a decisão.

Mudanças que fizeram com que marcas estabelecidas da indústria brasileira tivessem que se adaptar. Uma delas foi Lenny Niemeyer. A estilista carioca referência de sofisticação na moda praia brasileira foi uma das primeiras do calendário a apresentar sua coleção. Sobre a experiência, revela: “Foi realmente um grande desafio, estávamos acostumados com o desfile presencial e essa mudança de formato exigiu muita criatividade para conseguirmos transmitir a emoção da experiência física. Foi algo novo e gostei muito do resultado”.

Outra grande mudança que chegou com a edição comemorativa de 25 anos da São Paulo Fashion Week foi a instauração de cotas raciais para as marcas participantes do evento, algo nunca antes feito por nenhuma semana de moda no mundo. As apresentações de todas as marcas que participam do calendário tiveram que ter obrigatoriamente 50% dos modelos participantes negros, afrodescendentes ou indígenas. “A partir de conversas iniciadas nas redes sociais e diante os casos de racismo que vimos nos últimos meses percebi que tínhamos a responsabilidade de contribuir para a mudança de um comportamento. Há anos o SPFW dá às marcas a recomendação da inclusão em seus desfiles, mas vimos que era a hora de estabelecer a diversidade como regra. Estamos falando de futuro, em um momento em que precisamos realizar as mudanças que queremos ver acontecer”, explica Paulo Borges.

Diversidade que surge da organização do evento e se traduz nas apresentações das marcas participantes do calendário. Uma delas é a Misci, de Airon Martin, que trouxe para sua coleção o conceito de amadurecimento e evolução. “O papel da moda é provocar uma reflexão e na apresentação falo sobre uma moda e sobre um País que precisam de amadurecimento, que precisam se reconhecer para evoluir”, resume Airon. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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