Acordo comercial com a União Europeia pode elevar o PIB do Paraná, aponta Ipardes

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O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia pode ser muito benéfico para a economia do Paraná. Segundo estimativa do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), para cada aumento anual de 1% das exportações estaduais para o bloco serão acrescidos R$ 137,5 milhões ao PIB paranaense. Além disso, a mesma medida de crescimento das vendas externas poderia gerar 1,1 mil empregos, devido tanto ao efeito positivo sobre a atividade exportadora quanto aos desdobramentos sobre os segmentos a ela relacionados.

Em 2025, as exportações do Paraná para a União Europeia somaram US$ 2,46 bilhões, representando 10,4% do total das vendas do Estado para o Exterior, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Esse valor superou, por exemplo, as exportações destinadas à Argentina (US$ 1,83 bilhão), Estados Unidos (US$ 1,21 bilhão) e México (US$ 890 milhões), o que ressalta a importância do mercado europeu.

Em termos de produtos, os destaques ficam por conta das mercadorias do agronegócio, observando-se a liderança do farelo de soja na pauta das vendas para a União Europeia, com exportações de US$ 950 milhões em 2025, vindo a seguir a madeira compensada (US$ 203 milhões) e a carne de frango in natura (US$ 187 milhões).

Todavia, além dos itens agropecuários e agroindustriais, são importantes também as vendas de máquinas de terraplanagem, produtos químicos e partes de motores para veículos, o que evidencia a diversificação das exportações do Estado para a União Europeia.

Jorge Callado, diretor-presidente do Ipardes, ressalta a importância do acordo comercial em questão, principalmente diante do histórico recente. Em 2024, o comércio do Paraná com o bloco europeu foi de US$ 2,3 bilhões, um aumento já de 2,8%. Ou seja, nesse ritmo o crescimento do PIB do Estado já será cada vez mais acelerado.

“As atividades econômicas que serão beneficiadas estão espalhadas por todo o Estado, do complexo carnes, com forte operação no Oeste do Paraná, até a indústria de base florestal, que apresenta várias unidades produtivas nos Campos Gerais, passando ainda pelo complexo automotivo da Região Metropolitana de Curitiba”, analisa.

Ele também ressalta que a adesão a um bloco que reúne 450 milhões de habitantes pode ampliar a inovação da indústria local e investimentos estrangeiros. “Esse é um acordo que pode promover expansão tecnológica. Além das questões tarifárias, a proximidade com países desenvolvidos pode incentivar industrializações e adaptações na cadeia produtiva que podem gerar empregos mais qualificados e aumentar a competitividade do Paraná frente aos demais estados”, complementa.

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ACORDO – O acordo é um tratado de livre comércio que deve facilitar negócios, estreitar laços e reduzir burocracia. Ele mexe nas tarifas de importação e regras sobre comércio de bens e serviços, compras governamentais e propriedade intelectual. Ele prevê a eliminação progressiva de tarifas de importação para produtos em ambos os sentidos. Em setores estratégicos, especialmente no agronegócio, a abertura ocorrerá por meio de cotas.

Entre os principais produtos brasileiros com expectativa de ganho com o acordo, de acordo com as projeções, estão os cafés solúveis, torrados e moídos, que terão redução anual até chegar a zero. Atualmente, o café solúvel paga 9% de imposto para entrar na UE. O acordo também prevê avanços para o setor de carnes. A carne de frango, que tem o Paraná como principal produtor e exportador do Brasil, contará com uma cota de 180 mil toneladas com perspectiva de redução de tarifa até zero.

AEN

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