Bispo D. João Carlos comemora ordenação presbiteral e episcopal

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O bispo da Diocese de Toledo D. João Carlos Seneme tem dupla comemoração neste sábado (13): 40º aniversário de sua ordenação presbiteral e o 18º aniversário de ordenação episcopal. A programação, organizada pelo pároco da Paróquia Cristo Rei e vigário-geral da Diocese, Pe. Hélio Bamberg, começa com missa, às 10h30, na Catedral Cristo Rei, seguida de almoço no Salão Mafalda Eventos.

D. João foi ordenado padre para a Igreja Católica em Santa Gertrudes (SP), sua terra natal, em 15 de dezembro de 1985. E no dia 16 de dezembro de 2007, recebeu a ordenação episcopal, tornando-se bispo.

Ele conta um pouco da sua trajetória vocacional. “São 67 anos de vida, 40 anos de padre, 18 anos de bispo. Sinto que eu sou muito agradecido por esse momento e também de estar sempre muito investido dessa alegria que me leva adiante ainda a viver bastante”.

DESPERTAR VOCACIONAL – O bispo complementa que crescer em um ambiente familiar onde os quintais se interligavam marcou profundamente a sua infância. Entre primos e vizinhos próximos, as brincadeiras se concentravam dentro de casa, quase sem necessidade de ir à rua. Foi apenas na adolescência que um novo espaço passou a fazer parte de sua rotina: a Igreja.

O primeiro contato mais intenso com a vida religiosa veio por meio de um colega da escola, que o convidou para participar das missas. A experiência agradou e abriu caminho para sua integração ao grupo de jovens da paróquia. “Foi ali que comecei a sentir esse chamado de Deus para segui-lo mais de perto”, recorda. Embora tenha começado a frequentar a Igreja aos 13 ou 14 anos, o ingresso no seminário ocorreu apenas aos 18, após concluir o Ensino Médio.

D. João complementa que a participação em encontros vocacionais e a atuação como coordenador do grupo de jovens fortaleceram ainda mais esse despertar. “Tocando violão nas missas e animando celebrações, percebi nascer o desejo de dedicar-se definitivamente à Igreja. Foi no grupo de jovens, praticamente, que descobri minha vocação”, afirma”.

Além disso, um irmão religioso da mesma congregação – a qual ele viria a integrar – apresentava um programa de rádio que o inspirava. “O casamento de seus pais, seu batismo e sua primeira Eucaristia haviam sido celebrados por padres estigmatinos, que atendiam à comunidade onde cresceu”.

Ele ingressou no curso de Filosofia em Campinas, cidade onde completou toda sua formação. O ápice dessa trajetória foi o dia da ordenação. D. João relembra a emoção ao ver tantas pessoas reunidas para acompanhá-lo, muitas vindas de São Paulo, onde havia atuado pastoralmente durante a teologia. “Fiquei extasiado com todo aquele movimento. Era encantador ver tanta gente que conheci ao longo do caminho participar desse momento tão feliz”, conta.

PRIMEIROS TRABALHOS – O bispo foi ordenado padre no dia 15 de dezembro de 1985. “Em janeiro, fui designado por formador por um Seminário em Curitiba. Nele, tinham rapazes que estavam terminando o Ensino Médio e alguns estavam na filosofia. Eu não tinha ainda aquela experiência, mas os superiores confiavam em mim e me designaram para esse trabalho”.

Ele complementa que foi aprendendo na convivência com os seminaristas. “Então eu fui aprendendo na convivência com os Seminaristas. Em Curitiba, tinha um encontro e uma integração muito forte entre outros formadores. Eu fui aprendendo no transcorrer da vida. Foi uma experiência bonita e eu louvo muito a Deus por isso”.

POVO ACOLHEDOR – D. João salienta que as pessoas acham que somos diferentes no ato de comer ou de viver. “Quando eles percebem que não é assim, esse fato que é muito enriquecedor. Em Toledo, existe muita a acolhida. Quando vamos na casa de alguma pessoa; ela tem muito carinho e respeito pela vida do bispo”.

D. João revela que encontrar um morador é uma alegria. “Cada um sempre diz que está rezando por ele. O cidadão se preocupa comigo e se interessa pela minha atividade. Somos alimentados pela fé do povo”. De acordo com o bispo, às vezes, até nos momentos que a fé vacila, é sustentado pela fé da comunidade.

TRAJETÓRIA – Em uma conversa sobre sua trajetória à frente da Igreja, o bispo compartilha suas reflexões sobre o papel que desempenhou em Curitiba, cuidando de uma região com mais de 50 paróquias. Para ele, a transição de padre para bispo foi um processo profundo de aprendizado, marcado por responsabilidades maiores e desafios inéditos.

A experiência de ser bispo, conforme ele, traz uma realidade distinta daquela vivida enquanto padre. Ao ser designado para a função de provincial, um cargo de liderança por um período determinado (no caso, de três anos com possibilidade de reeleição), ele teve a oportunidade de experimentar um tipo de gestão, mas sem a carga vitalícia. Como bispo, a responsabilidade é permanente. “Ser bispo é a continuidade do projeto de Jesus Cristo, que construiu a Igreja sobre a fé de Pedro”, explica.

Ele destaca que a principal função de um bispo é manter a unidade da Igreja, sendo o ponto de ligação entre o Papa e as paróquias que lidera. “Este elo, que vai de Cristo a Pedro e, por meio dele, ao Papa, é o fundamento teológico e espiritual que sustenta sua liderança”.

DESAFIOS – Embora o compromisso com a fé e com a Igreja seja claro, o bispo também revela um lado mais solitário do cargo. “A responsabilidade de decidir muitas vezes recai sobre nós. Podemos consultar, ouvir opiniões, mas, no fim, somos nós que devemos tomar as decisões. Isso gera, por vezes, um certo isolamento”, confessa.

Ele compara essa experiência com a de um pai ou uma mãe de família, que busca ser o melhor possível dentro das suas limitações humanas. “Assim como um pai ou uma mãe tenta ser o melhor para seus filhos, eu tento ser o melhor bispo possível, dentro das limitações que tenho como ser humano”, diz. Essa constante busca pelo melhor, no entanto, é sustentada pela confiança em Deus. O bispo reconhece que sem a ação do Espírito Santo, seria impossível lidar com os desafios diários que surgem em sua jornada.

FÉ – Apesar das dificuldades, a fé permanece como o norte de sua liderança. Ele enfatiza que, mais do que uma posição de poder, ser bispo é uma missão que exige uma constante busca por sabedoria divina. “Fazemos o melhor que podemos, mas sabemos que a verdadeira força vem de Deus”, reflete. Para ele, o trabalho de liderança na Igreja é, acima de tudo, um esforço contínuo de serviço e entrega.

O bispo encerra suas palavras com uma mensagem de esperança e confiança na missão de sua vida. Para ele, a tarefa de ser bispo é uma vocação que exige humildade, paciência e, sobretudo, fé.

Da Redação

TOLEDO

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