Ânimos acirrados

Quando parecia que a pandemia do novo coronavírus seria problema suficiente para incomodar os brasileiros nesta metade do ano, eis que começam a eclodir protestos violentos, deixando ainda mais tenebroso um cotidiano nada reluzente. A onda de protestos se intensificou após o presidente Jair Bolsonaro e alguns dos integrantes de seus séquito espalharam frases de efeito sobre uma possível ruptura. Suficiente para acender o estopim da confusão em meio ao turbilhão já revolto provocado por tantos acontecimentos neste 2020 que mais parece mesmo o fim do mundo. Ao menos para os brasileiros que voltaram a presenciar cenas de vândalos depredando agências bancárias ou estabelecimentos comerciais, isso sem mencionar os vândalos digitais, aqueles que adoram incitar ainda mais a violência. De ambos os lados.

Os ânimos acirrados em nada contribuem para se buscar aquilo que o país mais necessita em momentos tão delicados quanto este: o equilíbrio de suas lideranças que deveriam passar uma imagem segura ao cidadão. Não! No Brasil das duas faces o que mais se vê é justamente o contrário. É um lado querendo destruir o outro, com aqueles sem lado no meio desta disputa besta, sem objetivo algum a não ser uma disputa de poder que em nada acrescenta ao desenvolvimento e à recuperação de uma nação que parece sair de uma crise e entrar em outra sem pausa para ao menos se respirar um tantinho que seja.

No Brasil dos discursos inflamados e do desrespeito, mais e mais pessoas se sentem no direito de falar o que lhes convém, sem a devida análise sobre as consequências de seus atos. Mais e mais lideranças agem como se os poderes fossem extensões dos quintais de suas respectivas residências. E aqui sem exceção: o movimento de desequilíbrio institucional aflige tanto o Executivo, passando pelo Legislativo e chegando ao Judiciário.

Em meio a este imbróglio é preciso seguir vivendo, trabalhando, pagando contas e ainda por cima precisando se preocupar com a irresponsabilidade de quem insiste em afrontar o perigo das causa desta nova doença que no Brasil, como quase tudo aliás, tem sido tratada com um desdém desproporcional, mesmo com as consequências econômicas e sociais aparecendo em todos os cantos deste rico e paupérrimo país.

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