Céu nebuloso

A notícia sobre a suspensão por tempo indeterminado dos voos da Azul a partir do Aeroporto Municipal Luiz Dalcanale Filho, ligando Toledo a Curitiba diariamente, pegou muita gente de surpresa, afinal, inicialmente era esperada a suspensão pelo menos até junho em função da pandemia provocada pelo novo coronavírus e a interrupção dos voos. Embora haja um documento neste sentido, verdade é que existe um risco deste voo jamais ser retomado a partir do momento que as obras de remodelação do Aeroporto de Cascavel estiverem concluídas, afinal, não se justifica sob o ponto de vista comercial manter dois voos partindo de cidades tão próximas sem haver forte demanda neste sentido. É o que acontece entre Francisco Beltrão e Pato Branco, onde um acordo entre as lideranças permitiu investimentos únicos capazes de oferecer à comunidade daquela região uma ligação direta com a capital.

No Oeste, ao contrário, desde o início há uma disputa nada saudável entre as duas cidades e que levou à divisão de investimentos – inclusive com papel decisivo do Governo do Paraná na gestão de Roberto Requião e depois com Orlando Pessuti. Naquela altura sepultava-se o sonho de se construir um aeroporto decente e em condições de atender à microrregião de maneira satisfatória por muitos anos. Mas é cada mais distante o sonho do Aeroporto Regional decolar, embora sua viabilidade fosse muito mais fácil que tentar arrumar o aeroporto cascavelense que, aos poucos, vai se fortalecendo e atraindo novas companhias, abrindo novos voos e se tornando a referência na região.

Isso é de todo ruim?

Por um lado não, afinal, importa é ter uma ligação decente e mais próxima que Foz do Iguaçu, a opção mais estruturada até hoje em termos de aviação no Oeste paranaense, mas que perdeu um pouco seu significado justamente quando os dois aeroportos passaram a operar de maneira mais frequente, prova de haver demanda suficiente neste sentido. Por outro lado, se essa suspensão se confirmar, seria uma tremenda derrota após tamanho esforço pela recuperação de um voo comercial diário com a capital e o investimento coletivo feito no local. O céu hoje, ao menos para os voos comerciais em Toledo, não está de brigadeiro e sim turbulento.

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