Por que a confiança é um verbo de ação?

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Diz-se que a confiança leva anos para ser construída e apenas segundos para ser destruída. Essa máxima, embora verdadeira, foca no medo da perda. O que raramente discutimos é a natureza da sua construção: a confiança não é um sentimento que “brota” espontaneamente; ela é um edifício erguido com os tijolos do cotidiano, cimentado por ações e projetado pela empatia.

Em uma era de conexões digitais ultra velozes, mas muitas vezes superficiais, a confiança entre pessoas tornou-se o nosso artigo de luxo mais escasso. No entanto, ela continua sendo a engrenagem invisível que permite que a sociedade funcione. Sem ela, não haveria comércio, não haveria vizinhança e, certamente, amizades sinceras.

Ganhar a confiança de alguém não é um exercício de persuasão, mas de escuta. É aqui que a empatia entra como ferramenta fundamental. Empatia não é apenas “sentir o que o outro sente”, mas validar a realidade do próximo. Quando demonstramos que compreendemos as dores e as necessidades de quem está à nossa frente, abrimos a primeira porta.

Entretanto, a empatia sem ação é apenas retórica. A confiança se consolida quando o que dizemos encontra eco no que fazemos.

Não confiamos em quem promete, confiamos em quem entrega. A previsibilidade do caráter é o que nos dá segurança.

A confiança é, portanto, um voto de fé no comportamento futuro do outro. E esse voto só é renovado quando percebemos que a nossa vulnerabilidade não será usada contra nós.

Neste momento em que o cinismo parece ser a resposta mais fácil para as decepções do mundo, propomos um caminho inverso. Que tal começarmos a reconstruir a confiança a partir do micro? No aperto de mão mais firme, no olhar nos olhos ao falar com um prestador de serviço, na honestidade brutal sobre nossas próprias falhas.

A confiança mútua é o que transforma uma multidão em uma comunidade. E, como toda obra de arquitetura humana, ela exige paciência, manutenção constante e, acima de tudo, a coragem de ser o primeiro a estender a mão.

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