Que vergonha
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A função de um jornal é informar, mas hoje, este espaço se dedica a uma missão mais urgente: confrontar a negligência. Caminhar pelas ruas de nossa cidade tem se tornado um exercício de frustração e revolta. Em cada esquina, em cada bueiro obstruído e em terrenos baldios, o que vemos é o retrato do descaso: montanhas de resíduos que denunciam uma parcela da população que parece ter esquecido o conceito básico de civilidade.
O descarte irregular de lixo não é apenas uma falha estética ou um “problema da prefeitura”, afinal não é a prefeitura que vai na casa das pessoas, pega um sofá e joga num local inapropriado, pelo contrário, entrando em contato com o 156 há como agendar a retirada desses lixos maiores e sem custo.
Descartar lixos de forma irregular é um ato de desrespeito coletivo com consequências diretas e perigosas. Quando um cidadão arremessa um saco de lixo em um canal ou abandona móveis velhos em uma calçada, ele não está apenas “se livrando” de um problema; ele está criando uma crise de saúde pública.
O acúmulo de lixo é o convite ideal para vetores de doenças que já deveriam estar sob controle. Estamos falando de proliferação de roedores e insetos que criam focos de leptospirose e peste bubônica, criadouros do Aedes aegypti que são os causadores de Dengue, Zika e Chikungunya e as enchentes evitáveis, afinal o lixo que se joga na rua hoje é o mesmo que entope as galerias pluviais amanhã, causando inundações que destroem patrimônios e tiram vidas.
É inadmissível que, em pleno 2026, ainda tenhamos que explicar que o lugar de lixo é no lixo, devidamente ensacado e colocado para coleta nos horários estipulados. A indignação que este editorial expressa não é gratuita; ela nasce da observação de bueiros transbordando plásticos e de praças públicas que mais parecem lixões a céu aberto.
Não sejamos hipócritas: a gestão pública tem o dever de manter a regularidade da coleta e a limpeza urbana. No entanto, nenhum exército destes trabalhadores da limpeza pública será suficiente se a população continuar a tratar o espaço comum com desprezo. Uma cidade limpa não é a que mais se varre, mas a que menos se suja.
Manter a cidade organizada é uma demonstração de amor próprio e de respeito ao próximo. O descarte correto — separando o reciclável do orgânico e respeitando os pontos de entrega de entulho — não é um favor que se faz ao governo, é uma obrigação ética de quem habita um espaço social.
O custo do descarte incorreto é alto demais e todos nós pagamos a conta: seja através de impostos desperdiçados em limpezas emergenciais, ou através de leitos de hospitais ocupados por doenças que poderiam ter sido evitadas com um simples gesto de consciência.
Exigimos uma mudança de postura imediata. Denuncie o descarte irregular, converse com seus vizinhos e, acima de tudo, reveja seus próprios hábitos. Não permitiremos que a nossa cidade sucumba à sujeira e à doença pela omissão de alguns. A limpeza urbana é o espelho da educação de um povo. O que o espelho tem dito sobre nós?