Além de um teto
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Em meio ao fluxo constante de pedestres e carros que define o ritmo de nossa cidade, existem portas que se abrem quando todas as outras se fecham. Os albergues municipais e filantrópicos, muitas vezes reduzidos no imaginário popular a apenas “um lugar para dormir”, são, na verdade, centros nevrálgicos de assistência social e o primeiro degrau na complexa escada da reconstrução de vidas.
A função primária de um albergue é a proteção imediata. Em noites de frio intenso ou sob a vulnerabilidade da rua ou de um agressor, o acolhimento salva vidas. No entanto, o trabalho moderno de um albergue vai muito além da oferta de um pernoite e uma refeição quente.
Estes locais deveriam funcionar também como centros de triagem e encaminhamento. É ali que o cidadão pode receber suporte para um passo além em sua vida.
Para a cidade, o albergue não pode ser visto como um gasto, mas um investimento em saúde pública e segurança. Ao realizar atendimento públicos fundamentais, há chance de reduzir a sobrecarga na saúde, tendo em vista que o acompanhamento preventivo nos abrigos evita que pequenas enfermidades se tornem crises em prontos-socorros.
Em algumas cidades, os albergues oferecem oficinas de capacitação e parcerias com o Sine (Sistema Nacional de Emprego), devolvendo ao mercado de trabalho pessoas que haviam perdido a esperança.
Um dos maiores obstáculos enfrentados por essas instituições é a resistência de parte de quem recebe apoio. Muitos apenas querem o conforto de uma cama limpa e um prato de comida e ficar livres de necessidades sociais. Outro obstáculo são os apoios públicos.
A eficiência de uma cidade não deve ser medida apenas pelo seu PIB ou pela fluidez do seu trânsito, mas pela forma como ela trata os seus cidadãos mais frágeis. O albergue é o elo que impede que a vulnerabilidade se transforme em invisibilidade total. Apoiar, fiscalizar e compreender o trabalho dessas instituições é um dever de todos que desejam uma comunidade verdadeiramente desenvolvida.