A notícia ansiosa
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Vivemos em uma era de saturação. Nas páginas deste jornal, e nas telas que carregamos nos bolsos, o fluxo de informações é constante. São crises econômicas, dilemas políticos e transformações sociais que exigem, a todo instante, nossa atenção e nosso posicionamento. No entanto, há um subproduto silencioso que precisamos discutir com honestidade: a ansiedade antecipatória.
A ansiedade, em sua gênese, é um mecanismo de defesa. Mas, quando somos bombardeados por problemas que não podemos resolver no aqui e agora, ela se torna um ruído paralisante. É fundamental distinguir o que é urgente para o mundo do que é resolvível para o indivíduo neste exato momento.
Muitos dos assuntos que nos tiram o sono hoje são “problemas de amanhã” ou questões macroestruturais que não se dobram à nossa vontade imediata. Ao tentarmos abraçar todas as incertezas do futuro, esgotamos a energia necessária para gerir o presente.
Tem ainda a ansiedade evitável, aquela gerada pela especulação excessiva. É o “e se?” que não possui base em dados concretos, apenas em medos projetados.
E o momento certo? Bom, esse exige uma maturidade intelectual em reconhecer que certos problemas têm um tempo de maturação. Resolver uma questão antes que ela esteja pronta para ser resolvida não é eficiência; é precipitação desgastante.
Nosso compromisso como veículo de informação é oferecer o fato e o contexto. Mas o compromisso do leitor consigo mesmo deve ser o de estabelecer limites. É preciso ler e ficar informado, porém aprender a “fechar o jornal” — seja ele de papel ou digital — e entender que o mundo continuará girando enquanto cuidamos do que está ao alcance das nossas mãos.
A verdadeira produtividade emocional não nasce da preocupação constante, mas da capacidade de discernir: “Isso precisa da minha angústia agora?”. Na maioria das vezes, a resposta é não. Podemos escolher o momento de pensar, o momento de agir e, fundamentalmente, o momento de descansar a mente.
Que possamos, juntos, cultivar uma relação mais saudável com a notícia e com o tempo. Informar-se é um dever cívico; manter a sanidade é um direito fundamental.