A morte não é o fim

Estimated reading time: 3 minutos

A morte é, invariavelmente, um tema que preferimos silenciar, mesmo sabendo ser ela a única certeza da vida. No entanto, no vazio entre o luto e a esperança, reside uma das decisões mais nobres que uma família pode tomar: a doação de órgãos. Mais do que um ato de caridade, a doação é um exercício de cidadania e de confiança em um sistema que opera sob o mais rígido escrutínio ético e científico.

Muitas vezes, o que impede o crescimento das taxas de doação não é a falta de solidariedade, mas a desinformação. É preciso desmistificar o processo. O protocolo de determinação de morte encefálica no Brasil é um dos mais rigorosos do mundo. Ele não depende da vontade de um único médico; exige exames clínicos realizados por diferentes especialistas, testes laboratoriais e exames de imagem que comprovem a irreversibilidade do quadro.

Nesse cenário, as equipes de transplante e as Comissões Intra-Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante(CIHDOTT) atuam como guardiãs da seriedade. São profissionais que trabalham contra o relógio, em uma logística complexa que envolve desde o suporte vital ao doador até o transporte aéreo dos órgãos. Cada etapa é rastreada, auditada e transparente. Não há “atalhos” na fila do Sistema Nacional de Transplantes; o critério é estritamente médico e de compatibilidade.

O maior obstáculo para que um órgão chegue a quem espera por ele ainda é a negativa familiar, muitas vezes motivada pelo desconhecimento do desejo do ente querido. No Brasil, a decisão final cabe aos parentes. Por isso, a conscientização deve começar em casa, em momentos de vida e saúde.

Dizer “Eu sou doador de órgãos” aos seus familiares é o passo mais importante. É retirar o peso da dúvida dos ombros de quem fica, transformando um momento de dor em uma possibilidade de continuidade.

Uma única pessoa doadora pode salvar ou melhorar a qualidade de vida de vários pacientes na fila de espera. Ao apoiarmos a doação estamos falando de empatia e do fortalecimento de um pacto social onde a vida de um desconhecido importa tanto quanto a nossa.

A doação de órgãos é a prova máxima de que, mesmo no fim, podemos ser o recomeço de alguém.

Você pode gostar também
Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.