Uma grande metamorfose

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Quem nasceu antes de 1990 vai lembrar bem como era a adolescência numa época onde tínhamos que viver com as emoções a flor da pele e com a grande responsabilidade de já ser grandinho, afinal estávamos crescendo. Nossas emoções eram veladas em sua grande maioria, porém tínhamos as amizades da rua, do portão de casa, da escola e as comparações eram muito menores que as existentes nos dias de hoje. Claro, só compara quem tem o que ver e essa juventude está cheia de ter o que ver.

A adolescência sempre foi descrita poeticamente como uma fase de “metamorfose”. No entanto, para quem a vive sob as pressões da contemporaneidade, o processo está longe de ser uma transição suave. O que vemos hoje é um cenário onde as mudanças biológicas e a busca pela identidade colidem com um mundo hiperconectado e, muitas vezes, solitário.

A confusão emocional nessa etapa não é “frescura” ou rebeldia sem causa; é o resultado de um cérebro em plena reconstrução. Segundo grandes profissionais como a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa ou o psicólogo Leo Fraiman, enquanto o córtex pré-frontal — responsável pelo julgamento e controle de impulsos — ainda amadurece, o sistema límbico — sede das emoções — opera em volume máximo. É a receita perfeita para a intensidade que tanto assusta os adultos.

E aí vem o grande desafio. Construir quem se é em meio ao ruído das redes sociais tornou-se uma tarefa árdua. O adolescente de hoje não se compara apenas com o colega de classe, mas com filtros inalcançáveis e vidas editadas globalmente. Essa fragmentação da identidade gera uma ansiedade crônica que silencia pedidos de ajuda.

Não podemos mais tratar a saúde mental juvenil como uma pauta secundária ou puramente médica. É uma questão social. Escolas, famílias e o poder público precisam entender que ouvir é tão vital quanto educar. O editorial desta edição convoca a sociedade a baixar o tom do julgamento e aumentar o volume da escuta e por isso trouxemos no podcast Conversa Oeste e também como manchete desta edição, a psicóloga Ana Kiara pra falar mais a respeito da saúde mental na adolescência.

Proteger a mente dos nossos jovens não é poupá-los dos desafios do mundo, mas oferecer o suporte necessário para que eles não se percam no labirinto das próprias descobertas.

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