Como funciona
Estimated reading time: 2 minutos
O sistema judiciário brasileiro é, para grande parte da população, um labirinto de ritos herméticos e decisões que parecem brotar do vácuo. Quando o tema é a corrupção passiva — aquele crime silencioso que corrói as instituições por dentro, trocando o interesse público pelo benefício privado —, a distância entre o que acontece nas salas de audiência e a compreensão do cidadão comum torna-se um abismo perigoso. É nesse vácuo de entendimento que florescem as notícias falsas, o ceticismo institucional e a sensação de impunidade.
A justiça, para muitos brasileiros, é um conceito abstrato que habita pilhas de papel e termos em latim. No entanto, é no ambiente controlado de uma Audiência de Instrução e Julgamento (AIJ) como a que ocorrerá na próxima sexta-feira (30), que a teoria encontra a realidade. Em casos de corrupção passiva — crime que fere diretamente a confiança pública —, entender o “como” se julga é tão vital quanto saber o “quem”.
Muitas vezes, o público consome apenas o veredito final, mas a AIJ é o coração pulsante do processo penal. É o momento em que as provas deixam de ser apenas indícios para serem testadas sob o crivo do contraditório. Ao detalharmos esse rito, nosso jornal cumpre a missão de traduzir a complexidade para o cotidiano.
O que está em jogo em uma audiência de corrupção passiva são as produções de provas, onde depoimentos de testemunhas e interrogatórios tentam reconstruir o caminho do benefício indevido, a observação de como acusação e defesa manejam a lei diante do juiz e mostrar que o processo não é um acerto de contas político, mas um rito técnico e rigoroso.
Este jornal, na edição de hoje, resolve “abrir as cortinas” de uma Audiência de Instrução e Julgamento (AIJ), pensando na importância de a população entender como se processa um crime de corrupção passiva e a importância de a sociedade fiscalizar as ações dos agentes públicos e do poder.