Assistência sim, dependência não

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Numa conversa bem aberta com a Secretária Municipal de Assistência Social, Simone Ferrari, ficou claro que a função de uma Secretaria de Assistência Social é, muitas vezes, interpretada de forma reducionista pela opinião pública e, infelizmente, por gestões populistas. Não se trata meramente de um balcão de entregas de cestas básicas ou auxílios pecuniários, mas sim de uma engrenagem fundamental para a garantia de direitos e a emancipação humana.

O verdadeiro sucesso de uma política de assistência social não deve ser medido pelo número de famílias que ela mantém sob suas asas, mas sim pelo número de cidadãos que ela capacita e auxilia para que não precisem mais dela e também pela qualidade de vida que a pasta proporciona para a população.

É inegável que a fome e o desabrigo têm pressa. Ações emergenciais são o primeiro degrau, mas não podem ser o único. Uma secretaria eficiente deve atuar em frentes que rompam o ciclo da pobreza como identificar quem são os invisíveis e entender a raiz da vulnerabilidade (falta de qualificação, problemas de saúde mental ou desestruturação familiar), conectar o cidadão à educação e ao mercado de trabalho de forma direta. O benefício deve vir acompanhado de uma “porta de saída” e apoiar a base familiar para que a rede de proteção da própria comunidade seja fortalecida.

O assistencialismo é sedutor porque gera resultados políticos imediatos, mas ele é, em essência, cruel. Ao oferecer apenas o peixe sem jamais mencionar a rede ou o rio, o Estado cria uma geração de dependentes, tolhendo a ambição e o protagonismo do indivíduo.

Auxiliar sem tornar dependente exige coragem política para investir em cursos profissionalizantes, fomento ao microempreendedorismo e educação financeira. O objetivo deve ser transformar o beneficiário em um agente econômico ativo, capaz de buscar oportunidades que superem em muito o valor de qualquer subsídio governamental.

A assistência social deve ser o colchão que ampara a queda, mas também a mola que impulsiona o salto. Cabe ao poder público garantir que ninguém fique para trás, sem esquecer que o destino final de cada cidadão deve ser a sua própria autonomia. A verdadeira dignidade não está na mão estendida para receber, mas na capacidade de caminhar com as próprias pernas.

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