O ano letivo

A cada nova semana uma dúvida tem sido frequente entre muitos leitores do JORNAL DO OESTE sobre o retorno às aulas, tanto na rede pública quanto na privada em Toledo. O maior temor é de uma eventual perda do ano letivo das crianças, algo que todos os envolvidos no setor também se perguntam, pois este é um momento inédito na história e ninguém estava preparado para enfrentá-lo. Gradativamente medidas estão sendo tomadas para minimizar essa eventual perda, seja através do envio de atividades, seja com a adoção de aulas online que, convenhamos, ainda não substituem o método tradicional de maneira satisfatória.

Além disso, há muitas crianças que foram para a casa dos avós, mudaram a rotina ou então estão com acesso restrito à internet, haja vista que em muitos locais a qualidade do sinal é péssima diante dessa nova necessidade. Todos estes ingredientes ainda estão sendo analisados e pensados enquanto o tempo passa. Professores ainda se moldam, assim como as próprias instituições diante das dificuldades impostas por esta pandemia que ainda não tem prazo para acabar em nossa região, pois pelo visto o chamado pico da doença começa a ganhar força agora, como já era previsto pelos especialistas e não pelos ‘achistas’ que se baseiam apenas em informações das redes sociais.

A pergunta que deve ser feita neste momento é: o que vale mais, um ano letivo ou a saúde de milhares de crianças?

Esta deve ser a maior preocupação agora e não se uma criança vai perder conteúdo, receber nota alta ou realizar todas as tarefas. É preciso ter, num momento como esse, a devida responsabilidade e, neste caso, responsabilidade é manter as crianças em casa, mesmo diante de tantas dificuldades, mesmo sem ainda se saber ao certo o que acontecerá nos próximos dias.

Ninguém está pedindo para os pais se transformarem da noite para o dia em pedagogos, assim como também ninguém tem exigido dos professores métodos revolucionários capazes de suprir essa necessidade nova para todos. O que se pede é um esforço conjunto para que os pais sejam pais e auxiliem seus filhos na educação, assim como aos professores que sejam professores e busquem meios de amenizar essa angústia que é coletiva. Dessa forma, quem sabe, uma eventual perda de um ano não represente um ganho de décadas na formação de uma nova geração mais preocupada com o ser humano e suas reais necessidades.

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