Precisamos?

Tramita na Câmara Municipal de Toledo um Projeto de Lei para a criação de um novo feriado municipal: o 9 de junho, como forma de homenagear a fundação da Comarca de Toledo. A iniciativa até é nobre, entretanto, num país onde uma das maiores reclamações do setor produtivo é justamente o excesso de feriados, pensar na criação de uma nova pausa chega a ser contraditório. Mas como o Brasil é uma fábrica de contradições, não é surpresa alguma. Nada contra o Poder Judiciário, porém, adotando a mesma lógica seria então necessário criar uma data específica para homenagear o Legislativo, pois o Executivo já possui o feriado municipal em homenagem à sua fundação. Quem sabe destinar o 9 de novembro como feriado do Legislativo, pois em 1952 foram realizadas as eleições para a primeira legislatura.

Toledo, por essas e outras, vem ficando para trás em vários aspectos e poderia, ao invés de criar um novo feriado, ajustar seu principal feriado, a exemplo do que aconteceu há algum tempo em Cascavel a fim de verdadeiramente se prestar uma homenagem ao município.

Em Cascavel o feriado foi alterado para 14 de novembro, data da emancipação político-administrativa do município, a mesma data de Toledo, separada em definitivo de Foz do Iguaçu no dia 14 de novembro de 1951, através da Lei nº 790, sancionada pelo então governador do Estado do Paraná, Bento Munhoz da Rocha Neto. Essa decisão acabou com a batalha e a bagunça sobre o que pode ou não pode abrir no feriado. Todo mundo para uma vez só, emendando ainda com a Proclamação da República em 15.

Essa sugestão já foi citada pelo JORNAL DO OESTE em várias oportunidades, entretanto, parece ser mais ‘legal’ manter essa bagunça que aí está, ainda mais em tempos de pós-pandemia, onde a necessidade de recuperação econômica é mais latente. Se em anos anteriores o 14 de dezembro não era respeitado por estar próximo ao fim de ano, agora em 2022 deverá ser menos ainda diante da necessidade de vender o máximo possível. Numa crise como essa, precisamos de mais um feriado? Precisamos? A resposta virá, uma vez mais, dos 19 vereadores que integram uma Câmara Municipal cada dia mais distante da gente que os elegeram.