“Porta de saúde que abre não pode fechar”
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A saúde pública é feita de tijolos e esperança, mas sobrevive de gestão e compromisso. Na tarde da última quinta-feira (5), durante o anúncio da construção do novo Ambulatório Médico de Especialidades (AME) e Maternidade em Toledo, o secretário de Estado da Saúde Beto Preto proferiu uma frase reflexiva: “Porta de saúde que abre não pode fechar. Ela é a esperança da população. Se fecha, dá demonstração de fraqueza no que é mais sagrado”.
Embora dita em um momento de celebração por novas obras, a fala do secretário soa como uma resposta direta — e necessária — às turbulências que cercam o Hospital Regional de Toledo. O dilema do Ideas, atual gestora da unidade, criou um clima de incerteza que a população toledana não merece e não pode suportar.
Quando o secretário classifica a saúde como o que há de “mais sagrado”, ele eleva o debate para além das planilhas de custos. No entanto, o “sagrado” no serviço público se manifesta na continuidade.
Abertura não é conquista final: construir paredes e entregar equipamentos é a parte visível e politicamente rentável da gestão. Agora desafio mesmo é a manutenção e manter as escalas médicas completas, os insumos em dia e os salários pagos é o que garante que a “porta” mencionada permaneça aberta.
A crise com a Ideas – marcada por notificações e instabilidade no atendimento – é o exemplo exato da “demonstração de fraqueza” citada por Beto Preto. Se o Hospital Regional, uma estrutura aguardada por décadas, vacila em sua operação, o sentimento que se instala na comunidade não é apenas de frustração, mas de traição à confiança pública.
Toledo vive um momento de expansão na rede de saúde com o novo AME e a futura Maternidade. É um avanço louvável. Porém, o otimismo com o futuro não pode mascarar as feridas do presente. O Estado e a administradora precisam resolver seus impasses com a urgência que a vida humana exige.
A fala do secretário deve ser lida como um compromisso público de que o Governo do Estado não permitirá que o Hospital Regional se torne uma porta giratória de incertezas. Em Toledo, já aprendemos da maneira mais difícil que hospital pronto sem atendimento é apenas um monumento ao desperdício.
Que a “esperança da população” seja honrada com fatos, não apenas com o concreto das novas obras. Afinal, na saúde, uma porta fechada é muito mais que um problema administrativo; é um direito negado.