Um paranaense em Brasília

Quando Sérgio Moro saiu da forma como saiu do Ministério da Justiça parecia estar o Estado do Paraná fadado ao ostracismo completo no campo sempre minado da política em Brasília. Para um estado autofágico em termos de lideranças no âmbito nacional, este era o cenário mais lógico. Porém, a escolha do secretário de Educação do Paraná e ex-executivo Renato Feder para ser o novo ministro da Educação por parte do presidente Jair Bolsonaro nesta sexta-feira, muda completamente este panorama.

Muda não apenas por voltar o Paraná a ser representado junto ao Governo Federal, mas também pela enorme responsabilidade que Feder terá daqui por diante junto a uma das pastas mais importantes dentro de uma administração, mas que até o momento não decolou no governo Bolsonaro. Além disso, seus ocupantes se meteram em tantas confusões que ao invés de se discutirem questões técnicas para a melhoria do ensino, os holofotes têm sido dominados por uma verborragia desnecessária e suspeição sobre quem lá quis passar.

Feder havia se reunido com Bolsonaro antes da escolha de Carlos Alberto Decotelli, que pediu demissão depois de denúncias sobre incoerências em seu currículo. Na semana passada, Bolsonaro havia ligado para Feder para agradecer, Mas teria preferido alguém mais velho. Decotelli tem 70 anos e Feder, 42. Feder vai substituir Abraham Weintraub.

O presidente havia preterido Feder, segundo fontes, por sua relação com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). O empresário doou R$ 120 mil à campanha do tucano para prefeito. Feder é secretário de Educação no Paraná e chegou a trabalhar na Secretaria Estadual de Educação de São Paulo.

No Paraná, seus contatos com empresários e terceiro setor fizeram com que fosse indicado a Ratinho Junior (PSD) para o cargo, no ano passado. Durante a pandemia, o Estado é um dos que tem se destacado por ter criado rapidamente um sistema de educação a distância bem estruturado com aulas online.

Seu desafio daqui por diante será hercúleo e fica a torcida para que Renato Feder possa desempenhar bem a missão para a qual foi escolhida e, com isso, quem sabe, auxiliar no processo de maturação do Estado do Paraná como um força não apenas no agronegócio ou na economia, mas também nas boas decisões políticas em nível federal.

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